Quase três décadas após o fim do serviço militar obrigatório, o presidente francês, Emmanuel Macron, considera criar um novo programa de alistamento voluntário para reforçar as Forças Armadas diante da crescente ameaça atribuída à Rússia.
Segundo fontes governamentais citadas pela imprensa local, a proposta busca estabelecer uma força suplementar que possa ser acionada em caso de conflito. A ideia será discutida nesta quinta-feira (27), quando Macron visitará um regimento próximo a Grenoble, nos Alpes, ocasião em que ele poderá oficializar o plano.
Planejamento até 2030
Informações preliminares indicam que o programa poderia envolver de 10 mil a 50 mil jovens até 2030. No mesmo período, o plano de defesa prevê elevar o efetivo total — entre militares da ativa e reservistas — dos atuais 200 mil para 210 mil soldados, incluindo 80 mil reservistas.
Debate interno
A ministra da Defesa, Alice Rufo, confirmou no domingo (23), à rádio France Info, que estudos estão em curso, mas reforçou que “nenhuma decisão foi tomada”. Partidos de direita manifestaram apoio imediato, enquanto setores da esquerda, como o Partido Socialista, adotam cautela: o porta-voz da legenda no Senado, Patrick Kenner, defende a manutenção de um exército profissional, mas não descarta adesão voluntária.
Contexto de segurança
Macron vem alertando sobre a necessidade de fortalecer a defesa nacional. Durante a cúpula do G20 na África do Sul, no fim de semana, o presidente afirmou que a França deve continuar sendo “uma nação forte, com um exército forte e capacidade de ação coletiva”. Ele também reiterou apoio ao chefe do Estado-Maior, general Fabien Mandon, que causou polêmica ao declarar que o país deve estar preparado para “aceitar a perda de seus filhos” em eventual conflito.
O serviço militar obrigatório na França foi abolido em 1997 pelo então presidente Jacques Chirac. A possível reintrodução, mesmo em caráter voluntário, é vista por autoridades como ferramenta adicional de defesa e de coesão nacional.
Com informações de Gazeta do Povo