Bruxelas, 26 jan. 2026 — O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, declarou nesta segunda-feira (26) que a Europa não conseguiria se proteger sozinha diante de uma agressão externa sem o suporte dos Estados Unidos.
Em audiência conjunta das comissões de Relações Exteriores e de Segurança e Defesa do Parlamento Europeu, o ex-premiê holandês afirmou que qualquer plano para dispensar o auxílio norte-americano exigiria que os países do bloco elevassem seus gastos militares para cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) — o dobro da meta de 5% acertada entre os integrantes da aliança para 2035.
“Se alguém ainda pensa que a União Europeia, ou a Europa como um todo, pode se defender sem os EUA, continue sonhando. Não consegue”, disse Rutte aos eurodeputados, segundo a agência France-Presse. “Sem os Estados Unidos, perderíamos o principal garantidor da nossa liberdade, que é o guarda-chuva nuclear americano. Então, boa sorte.”
A declaração ocorre em meio à tensão provocada pelos planos do presidente norte-americano Donald Trump de anexar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca considerado estratégico para Washington. A proposta ampliou o mal-estar entre a Casa Branca e diversos membros da Otan.
Rutte também rechaçou a ideia apresentada pelo comissário de Defesa da União Europeia, Andrius Kubilius, de criar uma força comum europeia que substitua as tropas dos EUA no continente. “Isso complicaria ainda mais as coisas. Acho que [o presidente russo Vladimir] Putin adoraria”, alertou.
Sobre a Groenlândia, o secretário-geral disse que a Otan deve assumir maior responsabilidade pela defesa do Ártico, mas destacou que não tem mandato para negociar em nome da Dinamarca. “Não negociei e não negociarei”, enfatizou.
Durante a audiência, Rutte minimizou ainda as críticas feitas recentemente por Trump ao desempenho de aliados na guerra do Afeganistão (2001-2021). “Para cada dois soldados americanos que pagaram o preço máximo, um soldado de um aliado ou parceiro da Otan não voltou para casa. Os Estados Unidos reconhecem todos esses esforços”, afirmou.
Com informações de Gazeta do Povo