A escalada de tensão entre Europa e Estados Unidos — impulsionada pelas novas investidas do presidente americano Donald Trump na Groenlândia e pela ameaça de tarifas — não impediu que os governos europeus mantivessem a porta do diálogo aberta com o antigo aliado.
Embora a relação atravesse um momento de desconfiança, o continente ainda depende fortemente do poderio militar e econômico de Washington. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, lembrou na segunda-feira (26.jan.2026) que a defesa europeia permanece garantida, em grande parte, graças aos EUA.
Investimentos e inteligência
Atualmente, os Estados Unidos respondem por quase 70% dos investimentos em defesa realizados na Europa. Entre 2020 e 2024, vários aliados mais que dobraram as compras de armamentos norte-americanos, ampliando a dependência.
O consultor Richard Aboulafia, da AeroDynamic Advisory, disse à rede France 24 que a necessidade europeia vai além de equipamento: envolve sobretudo o acesso a inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR). A França, por exemplo, compra poucas armas americanas, mas depende do sistema ISR dos EUA.
Novo foco de Trump e pressões sobre a Otan
Desde que voltou à Casa Branca há um ano, Trump passou a incluir o presidente russo Vladimir Putin nas conversas de paz sobre a Ucrânia, enquanto os europeus tentam isolar Moscou economicamente e diplomaticamente. Paralelamente, o governo republicano demonstra menor interesse em preservar a parceria histórica, voltando sua atenção às Américas e classificando a Europa como “à beira do declínio civilizacional”.
A recente iniciativa de Trump para controlar a Groenlândia abriu mais uma frente de preocupação para a União Europeia, que já enfrenta o desafio de sustentar o apoio à Ucrânia sem garantia de respaldo pleno de Washington.
Três debates internos na aliança atlântica
Nos próximos meses, aliados da Otan discutirão:
- os próximos passos para encerrar a guerra na Ucrânia;
- o nível de envolvimento militar que os EUA pretendem manter no continente;
- como responder aos planos de Trump para a Groenlândia.
Esses temas devem determinar o rumo da aliança e a permanência da colaboração transatlântica, considerada vital pelos líderes europeus, apesar das divergências atuais.
Com informações de Gazeta do Povo