Bruxelas/Washington, 21 ago. 2025 – A União Europeia e os Estados Unidos confirmaram nesta quinta-feira (21) um entendimento que limita a 15% as tarifas aplicadas pela Casa Branca sobre a maioria dos bens europeus, inclusive automóveis. O mesmo índice passará a valer para produtos norte-americanos quando o bloco europeu avançar com a redução de suas próprias taxas.
O compromisso foi formalizado em declaração conjunta divulgada pela Comissão Europeia e por Washington, consolidando o acordo político fechado em julho, na Escócia, que buscou evitar uma escalada tarifária. Na ocasião, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçara impor alíquotas de até 30% sobre importações provenientes da UE.
Automóveis e bens industriais
Segundo o comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, a UE pretende apresentar ainda este mês um projeto para abolir tarifas sobre todos os produtos industriais dos EUA. A proposta também dará acesso preferencial ao mercado europeu a determinados itens agrícolas e de pesca, como laticínios, frutas processadas, sementes e carne suína.
A tarifa de 15% sobre automóveis poderá ser aplicada retroativamente a 1.º de agosto. Atualmente, os carros europeus entram nos EUA com taxa de 27,5%, mantida fora de uma ordem executiva que baixou de 10% para 15% outras tarifas recíprocas já no início de agosto.
Metais, produtos estratégicos e padrões
No caso de aço e alumínio, que seguem sujeitos à alíquota norte-americana de 50%, o documento prevê apenas a possibilidade de cooperação contra o excesso de oferta, incluindo um eventual sistema de tarifas e cotas.
Certos produtos estratégicos — como aeronaves, cortiça, medicamentos genéricos e insumos químicos — receberão tratamento preferencial imediato, e Bruxelas e Washington continuam negociando a inclusão de novos itens. Vinhos e destilados europeus, porém, permanecerão sob tarifa de 15%.
Os dois lados também concordaram em reconhecer mutuamente seus padrões técnicos para o setor automotivo.

Imagem: Bruno SznajdermanCom informações da ag via gazetadopovo.com.br
Compras de energia e defesa
Como parte da oferta europeia, o bloco declarou intenção de adquirir dos EUA, nos próximos três anos, US$ 750 bilhões em gás natural, petróleo e produtos de energia nuclear, além de US$ 40 bilhões em chips de inteligência artificial. Os 27 Estados-membros também planejam ampliar significativamente a compra de equipamentos militares norte-americanos, embora não tenham divulgado valores.
Ajustes regulatórios
A UE estuda ainda flexibilizar aspectos criticados por Washington, como a tarifa de carbono na fronteira (CBAM) e o regime de responsabilidade civil previsto na diretiva de sustentabilidade cooperativa.
O acordo entra em vigor quando o Parlamento Europeu e os Estados-membros analisarem a proposta legislativa, etapa que permitirá a redução automática da tarifa norte-americana sobre automóveis para 15%.
Fim.
Com informações de Gazeta do Povo