Washington (20.fev.2026) — O Departamento de Estado dos Estados Unidos impôs restrições de visto a três integrantes do governo do Chile, acusando-os de ações que, segundo Washington, abalaram a segurança regional no hemisfério. Os nomes dos afetados não foram divulgados.
A medida foi anunciada nesta sexta-feira (20) em meio à transição de poder em Santiago. O presidente Gabriel Boric, de esquerda, deixa o cargo em 11 de março, quando será sucedido por José Antonio Kast, associado politicamente à direita e visto como próximo à Casa Branca.
Em nota, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, afirmou que os funcionários “dirigiram, autorizaram, financiaram ou executaram atividades que comprometeram infraestruturas críticas de telecomunicações e minaram a segurança regional”. Ele acrescentou que o governo Boric “encerra o mandato com um legado ainda mais manchado” por essas ações.
Chile convoca embaixador dos EUA
O Ministério das Relações Exteriores do Chile declarou ter sido surpreendido pela decisão e disse não ter recebido notificação oficial prévia. O chanceler Alberto van Klaveren chamou o embaixador norte-americano em Santiago, Brandon Judd, para fornecer esclarecimentos e revelar quem são os atingidos.
Em comunicado, a chancelaria chilena rejeitou as acusações, alegando que o anúncio fere o protocolo diplomático e “não condiz com a densidade e diversidade do diálogo bilateral”. O governo destacou ainda que os Estados Unidos são “aliado histórico e estratégico” do país.
Impacto das sanções
Com a decisão, os três citados — bem como seus familiares imediatos — tornam-se inelegíveis para entrar em território norte-americano, e eventuais vistos já emitidos foram cancelados. O Chile é o único país da América do Sul que participa do Visa Waiver Program, permitindo viagens aos EUA sem necessidade de visto convencional para a maioria dos cidadãos.
Rubio afirmou esperar “trabalhar com a futura administração Kast” em prioridades comuns de segurança na região.
Com informações de Gazeta do Povo