Os Estados Unidos deslocaram para o Oriente Médio o maior contingente militar desde a invasão do Iraque, em 2003, elevando a tensão com o Irã e abrindo três caminhos possíveis: ação militar limitada, ofensiva de grande escala ou acordo diplomático.
Força naval e aérea sem precedentes
Dois grupos de ataque de porta-aviões já operam na região. O USS Abraham Lincoln patrulha o Mar Arábico, escoltado pelos destróieres USS Spruance, USS Michael Murphy, USS Frank E. Petersen Jr. e USS Pinckney. O USS Gerald Ford, considerado o maior porta-aviões do mundo, deve chegar à costa de Israel entre segunda e terça-feira.
Fotos de satélite mostram o envio de mais de 50 caças de quinta geração – entre eles F-22 Raptor e F-35 Lightning II – para bases estratégicas. O Pentágono também posicionou contratorpedeiros com mísseis guiados, submarinos e navios de apoio logístico.
Negociações sob relógio
Enquanto reforça o poder de fogo, Washington negocia com Teerã em Omã. O presidente Donald Trump concedeu dez dias para avanços diplomáticos, mas trabalha com a hipótese de um ataque “iminente”, possivelmente ainda neste fim de semana. Autoridades iranianas, contudo, lembram que prazos semelhantes terminaram em bombardeios a instalações do país no ano passado.
Três cenários sobre a mesa
1. Ação pontual – Bombardeio cirúrgico contra locais da Guarda Revolucionária e instalações militares, visando forçar o Irã a aceitar um novo acordo nuclear. Analistas ouvidos pelo Wall Street Journal avaliam que a resposta iraniana seria limitada.
2. Campanha ampliada – Caso Teerã rejeite as exigências, os EUA poderiam lançar uma ofensiva ampla para paralisar o programa nuclear e de mísseis, com apoio de aliados regionais. O think tank Atlantic Council alerta para risco de guerra direta e até instabilidade interna no Irã.
3. Concessão diplomática – A terceira via seria o Irã aceitar limitar criticamente seus programas nuclear e balístico. Mick Mulroy, ex-subsecretário adjunto de Defesa, afirma que os EUA estão “prontos para ações sustentáveis” se Teerã recusar os termos.
Capacidade de retaliação iraniana
Apesar de negar a busca por armas nucleares, o Irã detém o maior arsenal de mísseis e drones do Oriente Médio. Para o analista da reserva Paulo Roberto da Silva Gomes Filho, o país pode retaliar e causar baixas, o que ampliaria o conflito. “Os meios militares reunidos lembram a campanha do Iraque e custam caro demais para ficar parados”, afirmou.
Com a chegada do segundo porta-aviões, cresce a expectativa de uma decisão entre diplomacia ou ação militar nos próximos dias.
Com informações de Gazeta do Povo