Washington (EUA) – O presidente norte-americano Donald Trump oficializou no último fim de semana o Escudo das Américas, coalizão militar criada para combater cartéis de drogas, redes terroristas e imigração ilegal no continente. O acordo foi selado na Flórida com a assinatura da Declaração de Doral, documento que reúne 17 países latino-americanos – entre eles Argentina, Equador, El Salvador e Paraguai – mas deixa de fora Brasil, México e Colômbia.
Objetivos da coalizão
O plano prevê compartilhamento de inteligência em alto nível, treinamentos conjuntos, apoio operacional e presença logística ampliada dos Estados Unidos no Caribe e no Pacífico oriental. Segundo Trump, a “força militar letal” será usada para “destruir os cartéis”, em analogia à aliança internacional contra o Estado Islâmico no Oriente Médio.
Países ausentes
Ao comentar a ausência de Brasil, México e Colômbia, Trump afirmou que “achava” que os três haviam sido convidados, mas que “talvez” tenham recusado a adesão. Analistas apontam que esses governos buscam preservar autonomia no combate interno ao crime organizado.
No caso brasileiro, o atrito gira em torno da possível designação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas. A Casa Branca já classificou as facções como “ameaças relevantes para a segurança regional”, enquanto o governo Lula se opõe à medida.
Impactos regionais
Para Ricardo Caichiolo, professor de Direito Internacional do Ibmec Brasília, a iniciativa “marca uma transição de cooperação tática para segurança regional integrada” e pode deslocar rotas criminosas para países que ficaram fora do pacto.
Alinhamentos recentes
Argentina, Equador e Paraguai adotaram, nos últimos meses, a classificação de grupos locais como terroristas e ampliaram acordos de segurança com Washington. O Paraguai aprovou um Status of Forces Agreement (SOFA) que regula a presença de militares dos EUA em seu território, concedendo prerrogativas semelhantes às de missões diplomáticas.
Operações em andamento
Em 3 de março, forças equatorianas e norte-americanas bombardearam um acampamento do grupo Comandos de la Frontera, dissidência das FARC. Desde setembro do ano passado, a operação “Lança do Sul” da Marinha e da Guarda Costeira dos EUA interceptou 44 embarcações ligadas ao narcotráfico, resultando na morte de pelo menos 150 suspeitos, segundo dados oficiais.
Contraponto à China e à Rússia
O Escudo integra a estratégia de segurança dos EUA que busca conter a crescente influência de China e Rússia na América Latina. Investimentos chineses em portos, telecomunicações e energia, além da cooperação militar russa com Venezuela, Cuba e Nicarágua, são vistos por Washington como desafios à sua hegemonia regional.
Estudo do Center for Strategic and International Studies (CSIS) aponta que a coalizão pode se tornar núcleo de uma rede de acordos econômicos, energéticos e de segurança, dificultando a entrada de tecnologias chinesas – como redes 5G – e padronizando protocolos alinhados aos EUA.
Embora privilegie a ação conjunta, o secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, declarou que Washington mantém a opção de ofensivas unilaterais caso considere haver “ameaça iminente”.
Com informações de Gazeta do Povo