NOVA DÉLHI (Índia) – 21.fev.2026 – O maior pacto diplomático já elaborado sobre inteligência artificial foi assinado neste sábado (21) por 88 países, mas perdeu força após pressão dos Estados Unidos. A “Declaração de Délhi”, resultado da Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial 2026, tornou-se um conjunto de recomendações “voluntárias e não vinculantes”, sem caráter obrigatório.
Como o impasse surgiu
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o francês Emmanuel Macron e o primeiro-ministro indiano Narendra Modi defenderam regras globais rígidas para evitar usos autoritários da tecnologia e concentrar menos poder nas mãos de grandes empresas. A delegação norte-americana, liderada por Michael Kratsios, rechaçou a proposta, classificando exigências mais duras como “cosméticas” e defendendo que a liderança tecnológica depende de liberdade para inovar.
Principais pontos do documento
Mesmo sem força de lei, a Declaração de Délhi prevê:
- criação de uma plataforma internacional para troca de protocolos de segurança;
- expansão do acesso de países em desenvolvimento à infraestrutura de IA;
- prioridade para aplicações em medicina e agricultura;
- plano de cinco anos para mitigar impactos da automação no mercado de trabalho.
Encontro bilionário
Realizada durante cinco dias na capital indiana, a cúpula reuniu chefes de Estado, representantes de organismos internacionais e executivos da indústria. Estima-se que cerca de US$ 300 bilhões em investimentos tenham sido anunciados. Entre os participantes estavam Sam Altman (OpenAI), Demis Hassabis (Google DeepMind) e Dario Amodei (Anthropic).
Com o recuo americano, o acordo foi reduzido a uma carta de intenções, dando a cada governo liberdade para adotar – ou ignorar – as recomendações estabelecidas.
Com informações de Gazeta do Povo