O Departamento de Estado dos Estados Unidos criticou nesta quarta-feira (11) a decisão de um tribunal peruano que restringe a atuação do órgão regulador do país sobre o porto de Chancay, construído e operado majoritariamente pela estatal chinesa Cosco Shipping Ports.
Em publicação na rede X, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental manifestou “preocupação” com a possibilidade de o Peru ficar impedido de supervisionar um de seus maiores terminais marítimos, classificado pelos norte-americanos como sob “proprietários chineses predatórios”. Ainda na nota, Washington declarou apoiar o “direito soberano do Peru de fiscalizar infraestrutura crítica” e alertou: “dinheiro chinês barato custa soberania”.
A reação ocorreu depois que o Primeiro Juizado Especializado em Matéria Constitucional de Lima acatou ação da Cosco Shipping Ports Chancay Peru S.A. A sentença determina que o Organismo Supervisor do Investimento em Infraestrutura de Transporte de Uso Público (Ositrán) se abstenha de funções de fiscalização, sanção e regulação sobre o terminal, salvo questões específicas de tarifas previstas na decisão.
A presidente do Ositrán, Verónica Zambrano, classificou o caso como “sem precedentes” e informou que o órgão recorrerá. A medida foi proferida em primeira instância e ainda cabe recurso.
Localizado na região de Lima, o porto de Chancay recebeu investimento estimado em US$ 1,3 bilhão e é controlado em 60% pela Cosco e em 40% pela peruana Volcan. Considerado estratégico, o terminal tem potencial para transformar o país em elo logístico entre a Ásia e a América do Sul.
Com informações de Gazeta do Povo