Miami (EUA) – O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, declarou nesta quinta-feira (5) que Washington está disposto a lançar uma ofensiva militar contra grupos criminosos na América Latina e que a ação poderá ocorrer mesmo sem apoio de outros países da região.
O anúncio foi feito na abertura da conferência Américas contra os Cartéis, realizada na sede do Comando Sul (Southcom), na Flórida. “Os Estados Unidos estão preparados para enfrentar essas ameaças e, se necessário, agir sozinhos. No entanto, nossa preferência é trabalhar em conjunto com vizinhos e aliados”, afirmou Hegseth.
Segundo o secretário, a chamada “nova Doutrina Monroe”, batizada internamente de “Donroe” e endossada pelo presidente Donald Trump, respalda possíveis ataques a organizações ligadas ao narcotráfico em território latino-americano. Ele pediu que governos da região adotem postura mais firme contra o crime organizado e reforcem a cooperação militar e de inteligência.
Operações recentes e números apresentados
Hegseth lembrou que, desde setembro do ano passado, a operação Lança do Sul destruiu 44 embarcações atribuídas ao tráfico de drogas no Pacífico e no Caribe, resultando em ao menos 150 mortos, de acordo com dados oficiais.
Na conferência, o comandante do Southcom, Francis Donovan, reforçou a disposição norte-americana. “Somos seu principal parceiro para atingir objetivos compartilhados, mas, quando for preciso, não hesitaremos em agir”, disse.
O encontro em Miami ocorreu poucos dias depois da primeira operação conjunta entre Estados Unidos e Equador contra organizações classificadas como narcoterroristas. A iniciativa foi anunciada após visita de Donovan ao país sul-americano.
Impacto interno e justificativa
Ao justificar a postura mais agressiva, Hegseth citou o impacto das drogas nos Estados Unidos. Segundo ele, mais de 1 milhão de norte-americanos morreram por overdose de fentanil, cocaína e outras substâncias entre 2021 e 2025, período que corresponde ao governo do democrata Joe Biden. O secretário também declarou que o tráfico de pessoas teria crescido 2.000%, movimentando US$ 13 bilhões em 2022.
Paraguai aprova acordo de cooperação
Na véspera do evento, o Senado do Paraguai aprovou, por 28 votos, um acordo com Washington para ampliar a cooperação no combate ao crime organizado transnacional. O texto prevê apoio técnico, tático e treinamento, além de autorizar a entrada temporária de militares e civis norte-americanos com facilidades migratórias e uso de equipamentos. Não há menção à instalação de bases permanentes nem à cessão de soberania territorial.
A conferência Américas contra os Cartéis segue até sexta-feira (6) com a participação de autoridades de defesa e segurança de vários países da região.
Com informações de Gazeta do Povo