Os Estados Unidos acusaram Pequim de realizar, em segredo, uma detonação nuclear em 22 de junho de 2020 e advertiram que podem retomar seus próprios testes atômicos, suspensos há mais de três décadas. A denúncia foi feita pelo secretário adjunto de Estado para Controle de Armas e Não Proliferação, Christopher Yeaw, durante evento no Hudson Institute, em Washington, nesta terça-feira (18).
Segundo Yeaw, dados sísmicos coletados no Cazaquistão indicam uma explosão de magnitude 2,76 “muito próxima” do complexo de Lop Nur, instalação chinesa localizada na região de Xinjiang. O diplomata afirmou que a atividade não corresponde a terremotos nem a mineração e teria sido conduzida a grande profundidade para despistar sistemas internacionais de monitoramento.
O representante americano alegou que a China “empregou técnicas de desacoplamento” para ocultar o teste e evitou informar a quantidade de energia liberada, atribuindo o desconhecimento a esforços de Pequim para apagar vestígios.
Yeaw lembrou que o presidente Donald Trump já manifestou interesse em retomar ensaios nucleares — interrompidos nos Estados Unidos desde 1992 — caso concorrentes façam o mesmo. “Não permaneceremos em uma desvantagem intolerável”, declarou.
Tratados sob pressão
EUA, China e Rússia assinaram em 1996 o Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBT), que veda qualquer explosão nuclear, mas Washington e Pequim nunca ratificaram o documento. Moscou, que havia formalizado a adesão, revogou a ratificação em 2023.
Com o fim, neste mês, do New START — o último acordo em vigor para limitar arsenais estratégicos — o governo Trump propôs negociar um novo pacto que inclua não apenas a Rússia, mas também a China, até agora resistente a integrar mecanismos desse tipo.
Com informações de Gazeta do Povo