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Escalada entre EUA, Israel e Irã transforma Estreito de Ormuz em zona de guerra e derruba tráfego marítimo

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Curitiba, 15 de março de 2026 – Passagem estratégica por onde circula cerca de 20 % do petróleo bruto mundial, o Estreito de Ormuz virou palco principal do confronto armado que opõe Estados Unidos e Israel ao regime iraniano. Desde o início da ofensiva, em 28 de fevereiro, mais de uma dezena de navios foi atacada e o movimento na rota caiu até 90 %, segundo a consultoria de dados e mercado Kpler.

Localizado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, o estreito recebe em média 144 embarcações por dia. Dados da Revisão do Transporte Marítimo de 2025, da ONU, mostram que 37 % dessas unidades são petroleiros, 17 % navios porta-contêineres e 13 % graneleiros.

Passagem seletiva e temor de desabastecimento

O Irã, que controla a via, passou a permitir a travessia apenas de navios escolhidos. A agência Reuters relatou que dois transportadores de gás liquefeito de petróleo (GLP) com bandeira da Índia e um cargueiro de propriedade turca receberam sinal verde para cruzar o estreito.

Neste domingo (15), o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou que Teerã está disposto a negociar “passagens seguras” com países interessados e afirmou ter recebido diversos pedidos de conversas, sem mencionar quais.

O bloqueio parcial impacta não só o mercado de petróleo, mas também o fluxo de gás natural liquefeito e fertilizantes – este último item preocupa especialmente o Brasil. Analistas alertam para a alta dos custos de energia, seguros e fretes, fator que pode pressionar o preço dos alimentos e o custo de vida em várias nações.

Ameaça recorrente e uso de minas navais

Há anos, autoridades iranianas ameaçam interromper o tráfego em Ormuz como resposta às sanções de Washington sobre o programa nuclear de Teerã. Em fevereiro, antes mesmo do início da guerra, o governo iraniano já havia fechado temporariamente áreas da rota para exercícios militares. Em 21 de junho de 2025, o Parlamento iraniano aprovou o bloqueio total após bombardeios americanos ordenados pelo então presidente Donald Trump.

Uma das táticas adotadas por Teerã é o posicionamento de minas navais. Trump afirmou recentemente que os EUA destruíram “quase todos” os navios minadores do Irã em uma única noite e que “praticamente toda” a marinha iraniana foi neutralizada desde o começo da ofensiva. O Comando Central americano (Centcom) contabiliza a eliminação de pelo menos 16 embarcações usadas para ameaçar a navegação. Relatório do Congresso dos EUA divulgado no ano passado estima que o Irã possua de 5 000 a 6 000 minas em serviço.

Discussão sobre escoltas e formação de coalizão

A insegurança levou Washington a estudar escoltas de navios pelo estreito, operação classificada como arriscada e onerosa pela própria Marinha norte-americana. No sábado, Trump apelou à criação de uma coalizão internacional para furar o bloqueio iraniano, citando China, França, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido e “outros países afetados”.

Em Tóquio, o chefe do conselho de políticas do governista Partido Liberal Democrático, Takayuki Kobayashi, declarou que o Japão não descarta enviar navios de guerra sob uma “ordem de segurança marítima”, prevista no Artigo 82 da Lei das Forças de Autodefesa, mas ressaltou que a decisão exige “cautela” diante do conflito em curso.

Com ataques frequentes, ameaça de minas e queda brusca no tráfego, o Estreito de Ormuz consolida-se como ponto mais tenso do comércio global de energia e mantém em alerta governos e mercados ao redor do planeta.

Com informações de Gazeta do Povo