O estrategista da campanha de reeleição do presidente norte-americano Donald Trump, Jason Miller, voltou a atacar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em publicações feitas nesta quinta-feira (21) na rede social X, Miller classificou o magistrado como “aspirante a ditador de terceira categoria” e “ameaça à democracia em todo o Hemisfério Ocidental”.
As declarações foram uma reação a nota divulgada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O parlamentar, indiciado junto com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por suposta coação em investigação sobre tentativa de golpe de Estado, criticou Moraes, o que motivou a manifestação de Miller.
Em uma primeira postagem, o assessor de Trump escreveu que Moraes “cometeu um grande erro” e que “o mundo inteiro verá” sua intenção de “destruir a democracia e prejudicar o povo brasileiro em busca de poder pessoal”. Horas depois, o estrategista voltou à plataforma, chamou o ministro de “idiota” e prometeu compartilhar com Trump a entrevista concedida por Moraes ao Washington Post na segunda-feira (18), na qual o magistrado desafiou sanções aplicadas pelos Estados Unidos.
Críticas recorrentes
Não é a primeira vez que Jason Miller se posiciona contra Alexandre de Moraes. Em 10 de agosto, ele declarou que lutaria pela libertação de Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar, afirmando: “Não vou parar até que o presidente Jair Bolsonaro esteja livre”. Na mesma data, divulgou reportagem do jornal O Globo sobre o receio de ministros do STF diante da aplicação da Lei Magnitsky a Moraes em 30 de julho, acompanhada da mensagem “libertem Bolsonaro… ou então” e o emoji de um alvo.
Entrevista ao Washington Post
Na entrevista ao jornal norte-americano, Moraes afirmou que não recuará na condução dos processos contra Jair Bolsonaro e seus aliados. “Não existe a menor possibilidade de recuar nem um milímetro”, disse, acrescentando que analisará as provas e decidirá “quem tiver que ser condenado” ou absolvido. O Post descreveu o ministro como “xerife da democracia” e lembrou que ele determinou a suspensão temporária de plataformas como o X, ordenou prisões de parlamentares e afastou o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), após os ataques de 8 de janeiro de 2023.

Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom via gazetadopovo.com.br
Detenção em 2021
Miller acompanha a política brasileira de perto desde que foi detido em 2021, no Aeroporto de Brasília, por ordem de Moraes. À época, ele prestou depoimento à Polícia Federal no inquérito dos atos antidemocráticos e foi liberado em seguida para voltar aos Estados Unidos.
As novas declarações do estrategista somam-se a críticas de outros aliados de Donald Trump, que acusam Moraes de perseguir opositores e prometem acionar a Justiça norte-americana contra o ministro.
Com informações de Gazeta do Povo