Havana – O governo de Cuba declarou estado de guerra na última semana, medida aprovada pelo Conselho de Defesa Nacional e baseada no conceito de “Guerra de Todo o Povo”, que prevê mobilização geral frente a eventuais agressões externas. A decisão intensificou o clima de insegurança entre recrutas das Forças Armadas e comunidades cristãs, segundo líderes religiosos e organizações que acompanham a situação na ilha.
Relatos coletados pela organização Portas Abertas indicam que jovens em serviço militar obrigatório vivem sob forte pressão. “Ninguém está preparado para uma guerra, mas as autoridades exigem a defesa da revolução”, afirmou um pastor cubano ouvido pela entidade. De acordo com ele, muitos recrutas permanecem confinados sem condições adequadas ou recursos essenciais.
Na Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborada pela Portas Abertas, Cuba ocupa a 24ª posição entre 50 países onde cristãos sofrem maior perseguição, sendo apontada como o local mais hostil à fé cristã na América Latina. A ONG avalia que o estado de guerra agrava a vulnerabilidade das igrejas, já submetidas à vigilância estatal e a restrições de culto.
Dois integrantes da equipe latino-americana da organização passaram vários dias em diferentes províncias cubanas para verificar a situação. “Encontramos pobreza sistêmica, vigilância constante e comunidades que se agarram à fé em meio às dificuldades”, relatou um dos observadores, que pediu anonimato. O grupo ouviu cerca de dez pastores e líderes locais.
A declaração de guerra ocorre num momento de tensão crescente entre Havana e Washington. Segundo o The Wall Street Journal, autoridades norte-americanas consideram o regime cubano mais fragilizado após a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro, aliado estratégico de Cuba. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse publicamente que sugeria aos líderes cubanos “fazer um acordo antes que fosse tarde demais”. O jornal citou ainda que, para a Casa Branca, Cuba pode se tornar o próximo alvo de pressão na América Latina.
Enquanto o governo reforça o discurso de mobilização nacional, igrejas e familiares de recrutas relatam escassez de alimentos, falta de medicamentos e apagões frequentes, problemas que se agravam com a nova situação de emergência. Não há indicação oficial de quanto tempo o estado de guerra permanecerá em vigor.
Com informações de Gazeta do Povo