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Esquerda brasileira reage em bloco e condena ataque dos EUA que capturou Maduro

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Brasília, 3 jan. 2026 – A operação militar lançada pelos Estados Unidos na madrugada deste sábado (3) para deter o presidente venezuelano Nicolás Maduro provocou reação imediata de partidos, autoridades e intelectuais de esquerda no Brasil. Em manifestações pelas redes sociais, eles classificaram a ação do governo Donald Trump como “sequestro”, “imperialismo” e “grave afronta à soberania” da Venezuela.

Pronunciamento do Palácio do Planalto

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aliado histórico de Maduro, afirmou que “os bombardeios em território venezuelano e a captura do seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável”. Lula defendeu uma resposta da Organização das Nações Unidas (ONU) e teve sua publicação compartilhada pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e pela Fundação Perseu Abramo.

Nota oficial do PT

Em comunicado, o PT “condenou veementemente a agressão militar dos Estados Unidos da América contra a República Bolivariana da Venezuela e seu povo”, descrevendo a ação como o “sequestro de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores”. O partido alegou que o conflito tem motivações políticas e econômicas e representa “a mais grave agressão internacional registrada na América do Sul no século XXI”.

Ministros e deputados

Guilherme Boulos (PSOL), ministro da Secretaria-Geral do Governo, declarou que o episódio é “a ação imperialista mais grave que já vivenciamos” e acusou Trump de usar a operação para garantir acesso ao petróleo venezuelano.

Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas, citou posicionamento da ONG Fundo para o Desenvolvimento dos Povos Indígenas da América Latina e do Caribe (Filac), que condenou o ataque e alertou para ameaça à paz regional.

No Congresso, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), pediu solução “mediada pelos organismos internacionais, como ONU e OEA”. O vice-líder do governo, Reginaldo Lopes (PT-MG), alertou para “precedente perigosíssimo” na América Latina e defendeu “saída política, negociada e com acompanhamento internacional”.

Reações no Legislativo

Entre outros parlamentares, Rogério Correia (PT-MG) chamou a ofensiva de “mais um capítulo da política imperialista que exporta guerra”, enquanto o senador Humberto Costa (PT-PE) ressaltou que a América Latina “não é extensão dos interesses de quaisquer países”. Jandira Feghali (PCdoB-RJ) expressou “solidariedade ao povo venezuelano” e criticou “saqueadores” que veem a região apenas como fonte de lucro.

Intelectuais e ex-autoridades

O ex-ministro Aldo Rebelo lembrou entrevista concedida em outubro, na qual afirmou que “o que está em jogo na Venezuela é a maior reserva de petróleo do mundo” e alertou para possível onda migratória rumo ao Brasil em caso de conflito.

Acadêmicos também se manifestaram. O filósofo Vladimir Safatle descreveu a invasão como “fim completo da ordem internacional criada após a Segunda Guerra”. Já o cientista político Christian Lynch enxergou na iniciativa um “corolário Trump da Doutrina Monroe”, que, segundo ele, trata recursos estratégicos latino-americanos como reservas dos EUA.

Apesar das críticas contundentes, as publicações convergem na defesa de negociações multilaterais e em apelos para que organismos internacionais intervenham diplomaticamente na crise.

Com informações de Gazeta do Povo