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Explosões vulcânicas a 130 km/h explicam como diamantes emergem do manto para a superfície

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Cientistas da Universidade de Oslo revelaram o mecanismo que leva diamantes das profundezas do manto terrestre até a superfície. O estudo, publicado em setembro de 2025 na revista Geology, mostra que erupções vulcânicas ultrarrápidas de magma kimberlítico — atingindo velocidades de até 130 km/h — funcionam como “elevadores” naturais para as gemas.

Viagem relâmpago evita que o carbono vire grafite

Sob pressões e temperaturas extremas, a mais de 150 quilômetros de profundidade, átomos de carbono cristalizam-se em diamantes. Para que essas pedras não se transformem em grafite, é necessário um transporte veloz. O kimberlito, material vulcânico rico em voláteis, cumpre essa função, atravessando a zona de transição entre manto e crosta, conhecida como Moho, antes que ocorra qualquer alteração química no cristal.

Modelagem química detalha a ascensão do magma

A equipe liderada pela pesquisadora Ana Anzulović utilizou modelos avançados para reproduzir as condições do manto. As simulações indicam que o magma precisa ser menos denso que as rochas vizinhas para subir. Mesmo carregando até 44% de peridotita, rocha pesada do manto, o fluido mantém baixa viscosidade e alta velocidade, garantindo a flutuabilidade necessária.

CO2 e água: peças-chave da explosão

A pesquisa conclui que o dióxido de carbono é essencial para manter o magma leve. Quando o kimberlito se aproxima da crosta, o CO2 se desgaseifica, gerando pressão que desencadeia uma erupção explosiva. A água, por sua vez, aumenta a difusividade do fluido, mantendo-o móvel. Nos tubos de Jericó, no Canadá, Anzulović calculou que pelo menos 8,2% de carbono é necessário para que o sistema entre em erupção.

Por que essas erupções são raras?

Erupções de kimberlito ocorrem quase exclusivamente em crátons — porções continentais muito antigas — e dependem da disponibilidade de voláteis. Um estudo de 2023 coordenado pelo geólogo Tom Gernon, da Universidade de Southampton, relaciona a atividade a ciclos de formação e ruptura de supercontinentes, com pico aproximadamente 30 milhões de anos após a separação das massas terrestres.

Impactos na prospecção e na geodinâmica

Ao entender a química e a velocidade dessas erupções, geólogos podem aprimorar a busca por diamantes ainda ocultos em profundidades continentais. Além disso, o trabalho oferece novas pistas sobre a dinâmica interna do planeta, conectando processos atômicos a eventos de escala continental.

Com informações de Gazeta do Povo