La Paz – A Bolívia realiza neste domingo, 17 de agosto, eleições gerais que podem pôr fim a duas décadas de administrações lideradas pelo Movimento ao Socialismo (MAS). Mais de 7,5 milhões de cidadãos dentro do país e 369.308 bolivianos residentes no exterior estão aptos a escolher presidente, vice-presidente e representantes no Parlamento para um mandato de cinco anos.
Favoritismo da oposição
Oito chapas disputam o Palácio Quemado, mas duas candidaturas opositoras despontam nas pesquisas: o empresário de centro-direita Samuel Doria Medina e o ex-presidente de direita Jorge “Tuto” Quiroga, que governou de 2001 a 2002. Caso nenhum concorrente alcance mais de 50% dos votos válidos, ou ao menos 40% com dez pontos percentuais de vantagem, o país poderá viver seu primeiro segundo turno, possibilidade prevista na Constituição de 2009.
Governo fragmentado
O MAS chega dividido ao pleito. O ministro Eduardo del Castillo disputa a Presidência enquanto o presidente do Senado, Andrónico Rodríguez, concorre pela Aliança Popular. Ambos aparecem atrás dos opositores nas sondagens. Fora da disputa, Evo Morales rompeu com a legenda após ter sua candidatura barrada pela Constituição, que impede novo mandato a quem já governou três períodos. Sem partido, ele incentiva o voto nulo, mobilizando simpatizantes com protestos nas últimas semanas.
Voto obrigatório e logística
As seções abrem às 8h locais (9h de Brasília) e funcionam por oito horas ou até o último eleitor na fila votar. O sufrágio é obrigatório; quem comparecer recebe certificado necessário para realizar serviços em repartições públicas e bancos nos 90 dias seguintes.
Pela primeira vez, o Tribunal Supremo Eleitoral utilizará o Sistema de Transmissão de Resultados Preliminares (Sirepre) para divulgar dados ao fim da votação. Quatorze missões internacionais de observação, lideradas pela União Europeia e pela Organização dos Estados Americanos, acompanharão o processo, além de cinco delegações nacionais.

Imagem: Bruno Sznajderman via gazetadopovo.com.br
Regras de segurança e silêncio eleitoral
Desde quinta-feira vigora silêncio eleitoral. Um “auto de bom governo” proíbe reuniões em massa e venda de bebidas alcoólicas. No domingo, só veículos autorizados pelo órgão eleitoral podem circular.
Pesquisas indicam elevado número de indecisos, votos em branco e nulos. Pela legislação boliviana, esses votos não são considerados válidos para o cálculo do resultado, servindo apenas para fins estatísticos.
Com informações de Gazeta do Povo