Novos registros do FBI divulgados nesta semana indicam que o então empresário Donald Trump telefonou para o Departamento de Polícia de Palm Beach, em 2006, para parabenizar os investigadores pela ação contra o financista Jeffrey Epstein. A informação foi relatada por um ex-chefe da corporação em entrevista à agência federal, realizada em 2019 e tornada pública pelo jornal Miami Herald.
Segundo o depoimento, Trump afirmou à polícia que “todo mundo já sabia” do suposto comportamento criminoso de Epstein e comemorou a prisão iminente. O contato ocorreu dois anos antes da condenação do financista, em 2008, por aliciamento de menores para fins sexuais.
Durante a ligação, Trump também mencionou Ghislaine Maxwell, então parceira de Epstein, descrevendo-a como “má” e sugerindo que os agentes concentrassem esforços na investigação contra ela. O documento do FBI relata ainda que Trump esteve em um evento com Epstein onde havia adolescentes presentes, mas teria deixado o local rapidamente.
O ex-presidente já declarou publicamente que manteve convivência com Epstein nos anos 1990, rompendo laços no início dos anos 2000. À época, o financista foi expulso do clube Mar-a-Lago após, segundo Trump, tentar recrutar funcionárias do resort. O republicano nega qualquer conhecimento prévio dos crimes de tráfico sexual atribuídos a Epstein.
Pedido de indulto para Maxwell
A revelação sobre a ligação coincide com a solicitação de indulto feita por Ghislaine Maxwell ao próprio Donald Trump. Cumprindo pena de 20 anos por participação na rede de exploração sexual, Maxwell recorreu à Quinta Emenda e se recusou a depor em audiência na Câmara dos Representantes nesta segunda-feira (10). Seu advogado, David Oscar Markus, afirmou na rede social X que a cliente daria um testemunho “completo e honesto” caso recebesse perdão presidencial.
Markus sustentou que apenas Maxwell poderia “oferecer a versão completa” sobre o caso, alegando que tanto Trump quanto o ex-presidente Bill Clinton seriam inocentes de qualquer delito. Trump já declarou não ter planos de conceder indulto ou comutação de pena à britânica, embora não tenha descartado a possibilidade, o que gera divisões dentro da bancada republicana.
A mais recente divulgação de documentos do FBI volta a lançar luz sobre as conexões de figuras políticas com Epstein, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores.
Com informações de Gazeta do Povo