O deputado municipal de Barcelos, Manuel Beninger, afirmou que a presença de André Ventura, líder do partido Chega, no segundo turno da eleição presidencial portuguesa representa a primeira possibilidade real de a direita conquistar o Palácio de Belém em meio século. A declaração foi feita na terça-feira (20) durante entrevista ao programa “Café com a Gazeta”.
Beninger destacou que, após décadas de alternância entre legendas de centro e de esquerda, o pleito marcado para 2026 passa a contar com um candidato conservador competitivo. De acordo com o parlamentar, Ventura baseia sua campanha na proposta de reformular a gestão pública e endurecer a política migratória — temas que impulsionaram o crescimento do Chega.
Sistema semipresidencialista
Portugal adota o modelo semipresidencialista, no qual o presidente exerce o papel de chefe de Estado, com prerrogativas como vetar leis aprovadas pelo Parlamento e, em casos específicos, dissolver a Assembleia da República. Segundo Beninger, Ventura pretende usar essa “magistratura de influência” para fiscalizar o Executivo e pressionar o Legislativo, buscando pôr fim ao domínio político que, na avaliação do deputado, se mantém há cerca de 50 anos.
Imigração no centro do debate
A pauta migratória domina a campanha. Beninger estimou que a população portuguesa chegou a 11 milhões de habitantes impulsionada pelo aumento de estrangeiros. Os brasileiros seguem como a maior comunidade, correspondendo a aproximadamente 5% dos residentes no país, número considerado “bem-vindo e bem recebido” pelo entrevistado.
Já a imigração oriunda do Indostão — região que compreende Índia, Paquistão e Bangladesh — foi apontada como desafio de integração cultural e religiosa. O Chega defende regras mais rígidas para preservar a identidade nacional e valores cristãos, disse o deputado.
Dados citados durante o programa indicam alta expressiva nos pedidos de residência de brasileiros a partir de 2022, fenômeno que, segundo Beninger, pressiona serviços públicos e alimenta o debate sobre os rumos econômicos e sociais do país.
O avanço de partidos conservadores em nações como Hungria, Itália, França e Holanda também foi mencionado pelo político como reflexo de insatisfação econômica e social, fenômeno que estaria agora chegando a Portugal.
Com informações de Gazeta do Povo