O Ministério das Relações Exteriores da Dinamarca chamou, na quarta-feira (27), o encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos em Copenhague para prestar esclarecimentos sobre supostas ações de influência política conduzidas por cidadãos norte-americanos na Groenlândia.
A decisão foi tomada depois de reportagem da emissora pública dinamarquesa DR revelar que três norte-americanos ligados ao ex-presidente Donald Trump teriam ido repetidamente ao território autônomo para recrutar defensores da independência em relação a Copenhague e cultivar contatos políticos e sociais.
Em nota enviada à DR, o Serviço de Inteligência da Dinamarca (PET) confirmou que a ilha tem sido alvo, nos últimos anos, de campanhas externas destinadas a acentuar divisões internas. Segundo o órgão, essas operações procuram “aproveitar desacordos existentes ou inventados” e “reforçar determinados pontos de vista na Groenlândia a respeito do reino, dos Estados Unidos ou de outros países com interesses na região”.
“Qualquer tentativa de interferência nos assuntos internos do Reino da Dinamarca é inaceitável”, declarou o chanceler Lars Løkke Rasmussen. “Por essa razão, solicitei a convocação do encarregado de negócios norte-americano”, acrescentou.
Não é a primeira vez que Copenhague protesta. Em maio, o governo dinamarquês já havia manifestado preocupação depois de reportagens indicarem que Washington reforçava atividades de espionagem na ilha. O Wall Street Journal mencionou, na ocasião, instruções da Casa Branca para que agências de inteligência identificassem figuras locais favoráveis aos interesses norte-americanos.

Imagem: OLIVIER MATTHYS
O interesse dos Estados Unidos na Groenlândia remonta a décadas. Durante a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria, a ilha serviu de base para operações militares. Mais recentemente, Donald Trump declarou intenção de adquirir o território, chegando a sugerir o uso de força militar, segundo o jornal The New York Times.
Com menos de 60 mil habitantes, a Groenlândia é cobiçada por sua posição estratégica no Ártico e pelas reservas de minerais críticos. Pesquisas indicam que a maioria da população rejeita a incorporação aos Estados Unidos, embora parte dos moradores defenda a independência da Dinamarca.
Com informações de Gazeta do Povo