A Dinamarca anunciou nesta quarta-feira (14) a criação de um grupo de trabalho conjunto com os Estados Unidos para tratar das divergências sobre o futuro da Groenlândia. A decisão foi tomada após reunião no Edifício Executivo Eisenhower, em Washington, entre o ministro das Relações Exteriores dinamarquês, Lars Løkke Rasmussen; a chanceler groenlandesa, Vivian Motzfeldt; o vice-presidente americano, J. D. Vance; e o secretário de Estado, Marco Rubio.
Primeiro encontro em poucas semanas
Segundo Rasmussen, o grupo — descrito como “de alto nível” — deverá se reunir pela primeira vez dentro de algumas semanas. O objetivo, afirmou, é “encontrar terreno comum” que responda às preocupações de segurança dos Estados Unidos sem ultrapassar as “linhas vermelhas” de Copenhague.
“Continuamos a acreditar que a segurança da Groenlândia pode ser garantida dentro da estrutura atual”, declarou o chanceler dinamarquês. Ele reforçou que qualquer proposta que desconsidere a integridade territorial da Dinamarca ou o direito do povo groenlandês à autodeterminação é “totalmente inaceitável”. Apesar da iniciativa, Rasmussen admitiu que as posições permanecem distantes. “Concordamos em discordar”, resumiu.
Pressão de Washington
A criação do grupo ocorre em meio à pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, que defende a aquisição da ilha ártica por motivos de segurança nacional. Horas antes da reunião, Trump escreveu na rede Truth Social que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) “será muito mais eficaz” com a Groenlândia sob controle americano e que “qualquer coisa menos do que isso é inaceitável”.
A Casa Branca ainda não se pronunciou oficialmente sobre o encontro. Já o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, e a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reiteraram que a ilha — território autônomo dinamarquês — não será anexada pelos Estados Unidos, seja por compra ou por força militar.
Com informações de Gazeta do Povo