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Dinamarca pede desculpas por implantes de DIU sem consentimento em milhares de mulheres da Groenlândia

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O governo da Dinamarca apresentou nesta quarta-feira, 27 de agosto de 2025, um pedido de desculpas oficial às mulheres da Groenlândia que receberam dispositivos intrauterinos (DIUs) sem consentimento entre as décadas de 1960 e 1990.

Em comunicado, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, reconheceu que a prática provocou “raiva e dor” na população groenlandesa. “Pedimos perdão às meninas e mulheres que foram alvo de discriminação sistemática por serem groenlandesas, que sofreram danos físicos e psicológicos, e por termos falhado com elas”, declarou. A líder classificou o episódio como um “abuso” das autoridades de saúde da época e ressaltou a necessidade de o país assumir “responsabilidade” pelo ocorrido.

Reportagem da emissora pública DR revelou que pelo menos 4,5 mil mulheres e adolescentes — algumas com apenas 12 anos — tiveram DIUs implantados sem autorização no período de 1960 a 1991, quando a Groenlândia ainda dependia do sistema de saúde dinamarquês. A medida fazia parte de uma campanha estatal de planejamento familiar lançada após a ilha deixar o status de colônia e tornar-se província dinamarquesa em 1953.

Atualmente, uma comissão conjunta Dinamarca-Groenlândia investiga o caso e deve divulgar suas conclusões no próximo mês. Paralelamente, 143 mulheres groenlandesas movem ação coletiva contra o Estado dinamarquês, exigindo indenização de 43 milhões de coroas (cerca de R$ 36 milhões) por violação de direitos humanos.

O governo da Groenlândia também conduz inquérito próprio para apurar se a prática continuou após 1992. Para cobrir eventuais compensações, foram reservadas 4,5 milhões de coroas (aproximadamente R$ 3,8 milhões).

No mesmo comunicado, o presidente autônomo da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, pediu desculpas “pelo dano e abuso que várias mulheres podem ter sofrido depois que assumimos as competências em saúde”. Seu antecessor, Múte B. Egede, chegou a classificar o episódio como “genocídio” em 2024.

Dinamarca e Groenlândia anunciaram que realizarão um ato oficial conjunto de desculpas quando o relatório final da comissão for apresentado.

Com informações de Gazeta do Povo