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Dinamarca acusa Rússia de ciberataques que danificaram sistema de água e tiraram sites do ar

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O governo da Dinamarca informou nesta sexta-feira (19) que identificou “ciberataques destruidores e disruptivos” atribuídos ao Estado russo contra infraestruturas críticas e plataformas governamentais do país.

A avaliação, divulgada pelo Serviço de Inteligência de Defesa dinamarquês (Forsvarets Efterretningstjeneste – FE), marca a primeira vez que Copenhague aponta publicamente o Kremlin como responsável direto por esse tipo de ofensiva digital.

Abastecimento de água afetado em 2024

O FE detalhou que, no fim de 2024, o grupo hacker Z-Pentest, ligado à Diretoria Principal de Inteligência Militar da Rússia (GRU), invadiu os sistemas da Tureby Alkestrup Waterworks, empresa que abastece a região de Køge, 35 quilômetros ao sul da capital.

Os invasores alteraram a pressão da rede, provocando o rompimento de pelo menos três tubulações. Cerca de 50 residências ficaram sem água por sete horas, enquanto outras 450 tiveram o fornecimento interrompido por aproximadamente uma hora.

Segundo o serviço de inteligência, o Z-Pentest atua como instrumento da chamada “guerra híbrida” conduzida por Moscou contra países ocidentais que apoiam a Ucrânia e alega ter realizado centenas de ataques a infraestruturas críticas em diferentes nações.

Ataques na véspera das eleições de 2025

Outro incidente citado pelo FE ocorreu em novembro de 2025, quando o coletivo NoName057(16) realizou ataques de negação de serviço (DDoS) que tiraram do ar temporariamente vários sites oficiais dinamarqueses, às vésperas das eleições municipais e regionais. As autoridades afirmam que o grupo também possui vínculos com o governo russo.

Reações em Copenhague e na União Europeia

Em resposta, o governo convocou o embaixador russo para prestar esclarecimentos. O ministro da Defesa, Troels Lund Poulsen, classificou as ações como “totalmente inaceitáveis”. Já o ministro da Resiliência e Preparação, Torsten Schack Pedersen, alertou que, embora os danos tenham sido limitados, os episódios demonstram a capacidade de agentes externos de paralisar setores essenciais da sociedade.

Levantamento da Associated Press contabiliza 147 casos de sabotagem, ciberataques ou interferência atribuídos à Rússia em países europeus desde a invasão da Ucrânia, em 2022. A União Europeia manifestou solidariedade a Copenhague e prometeu reforçar a segurança cibernética do bloco.

Com informações de Gazeta do Povo