Um deslizamento de terra ocorrido em uma mina de coltan na cidade de Rubaya, leste da República Democrática do Congo (RD Congo), causou a morte de mais de 200 pessoas, informaram neste sábado (31) líderes da sociedade civil e autoridades rebeldes locais.
O desastre aconteceu na quinta-feira, após fortes chuvas, na mina situada no território de Masisi, província de Kivu do Norte. O local é controlado pelo grupo armado Movimento 23 de Março (M23), que enfrenta o governo congolês.
“O que aconteceu aqui em Rubaya depois das chuvas de quinta-feira é realmente terrível. Ontem recuperamos 45 corpos dos poços e, desde esta manhã, o número já supera 200, a maioria de mineradores artesanais”, relatou por telefone Telesphore Nitendike, presidente da sociedade civil de Masisi.
Entre as vítimas estão garimpeiros e comerciantes que trabalhavam na área dominada pelo M23. A combinação de escavações artesanais e solo encharcado pelas chuvas torna os poços altamente suscetíveis a desabamentos.
Mina estratégica e conflito armado
Rubaya responde por 15% a 30% do coltan comercializado no mundo. O mineral é essencial na produção de componentes eletrônicos, como chips de telefones celulares.
Desde o fim de janeiro de 2025, o conflito no leste congolês se intensificou com a tomada de Goma e, semanas depois, de Bukavu pelo M23. As províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul são ricas em recursos minerais, motivo pelo qual disputas armadas se estendem desde 1998, apesar da presença da missão de paz da ONU (Monusco).
De acordo com as Nações Unidas, o M23 instalou em Rubaya uma administração paralela, incluindo um “ministério” encarregado de conceder ou negar licenças de exploração mineral.
Acidentes em minas são frequentes na RD Congo, onde a extração artesanal, muitas vezes sob controle de grupos armados, raramente segue normas de segurança.
Com informações de Gazeta do Povo