Washington (17.mar.2026) – Ícone da corrente “Make America Great Again” (MAGA) e ex-âncora da Fox News, Tucker Carlson virou foco de uma apuração federal por, supostamente, manter contato com autoridades iranianas antes do início da ofensiva dos Estados Unidos contra o país persa. A investigação baseia-se no Foreign Agents Registration Act (FARA), legislação que enquadra quem age em nome de governos estrangeiros.
Investigação sob a lei FARA
O comunicador tornou pública a existência do inquérito e disse não acreditar que uma acusação formal seja apresentada. Mesmo assim, decidiu revelar o caso em meio ao clima de tensão provocado pela guerra no Oriente Médio.
Desde o primeiro bombardeio norte-americano, Carlson passou a condenar a operação, que classificou como “repugnante” e “maligna”, além de “contrária aos interesses dos Estados Unidos e pró-Israel”. As críticas o colocaram do lado oposto ao governo republicano, transformando um antigo aliado em voz dissonante dentro da direita.
Trump corta laços
A mudança de posição levou o ex-presidente Donald Trump a se afastar publicamente do jornalista. Em entrevista ao âncora Jonathan Karl, da ABC News, na quinta-feira passada, Trump afirmou: “Tucker se perdeu… ele não é MAGA”. Segundo o ex-mandatário, o movimento defende o princípio “América Primeiro”, algo que, na avaliação dele, Carlson deixou de representar.
Trajetória midiática
Carlson, 56, nasceu em 16 de maio de 1969, em San Francisco (Califórnia). Formado em História pelo Trinity College, iniciou a carreira nos anos 1990 em publicações como New York Magazine e Esquire. Na década seguinte migrou para a televisão, passando por CNN e MSNBC até chegar à Fox News, onde comandou o programa Tucker Carlson Tonight e quebrou recordes de audiência ao atacar políticas de imigração e questionar protestos antirracistas.
Desligado da Fox em abril de 2023, após um documentário sobre a invasão do Capitólio gerar ação bilionária contra a emissora, Carlson ampliou sua atuação digital e fundou o site The Daily Caller. Foi recebido várias vezes por Trump na Casa Branca e era considerado peça-chave na difusão da pauta conservadora.
Entrevistas que ganharam manchetes
Conhecido por conversas exclusivas com chefes de Estado, Carlson foi o primeiro jornalista ocidental a entrevistar Vladimir Putin depois da invasão da Ucrânia. Também conversou com o então presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que demonstrou receio de avanço da esquerda na América do Sul.
No ano passado, entrevistou o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, poucos dias após troca de mísseis entre Teerã e Tel Aviv. Pezeshkian negou ter um programa nuclear militar e chamou a acusação de “intriga de Israel”. O mandatário iraniano morreu neste ano durante ataques conjuntos de Israel e Estados Unidos.
Rompimento com a base conservadora
Depois de abandonar a Fox, Carlson passou a divergir do núcleo duro do MAGA. O distanciamento ganhou força em 27 de outubro, quando entrevistou o influenciador Nick Fuentes, conhecido por negar o Holocausto, o que lhe rendeu acusações de antissemitismo. O comentarista chegou a classificar a ala mais conservadora do Partido Republicano de “medíocre e nada criativa”, alimentando o atrito com Trump.
Agora, enquanto a guerra no Oriente Médio avança, o ex-porta-voz do trumpismo pode enfrentar tribunais nos Estados Unidos por suspeita de atuar em favor de Teerã – e, para muitos republicanos, já ocupa a posição de “inimigo de Estado”.
Com informações de Gazeta do Povo