O opositor cubano José Daniel Ferrer, radicado nos Estados Unidos, afirmou que “Cuba pede salvação” depois da captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por tropas norte-americanas no sábado (3). A declaração foi dada ao portal argentino Infobae em entrevista publicada nesta segunda-feira (5).
Ferrer participou de uma manifestação no domingo (4), em solo norte-americano, e disse acreditar que qualquer revés sofrido por governos autoritários aliados de Havana alimenta a esperança da população cubana. Segundo ele, o regime instaurado por Fidel Castro sustenta-se “pela violência e pelo medo” e jamais cumpriu a promessa inicial de democracia.
Apoio venezuelano após queda da URSS
O dissidente relembrou que, após o fim da União Soviética, o governo cubano sobreviveu graças ao aporte financeiro de Caracas. Para Ferrer, a ascensão do chavismo com Hugo Chávez devolveu “oxigênio” ao regime da ilha, que, em contrapartida, repassou métodos de vigilância e repressão à Venezuela.
Ele definiu a parceria como “aliança criminosa” e citou a morte de 32 agentes cubanos durante a operação que resultou na prisão de Maduro como prova do envolvimento direto de Havana no aparato chavista.
Repressão preventiva denunciada
A organização de direitos humanos Cubalex relatou aumento da presença policial, restrições arbitrárias de circulação e militarização de espaços públicos em várias regiões cubanas desde a captura de Maduro. Em nota ao jornal Diario de Cuba, a entidade afirmou que o governo está promovendo repressão preventiva para evitar protestos em meio à fragilidade de seu principal aliado externo.
Entre as medidas observadas estão cercos a residências de ativistas, impedimento de saída sem ordem judicial e patrulhamento reforçado, sobretudo em Havana.
Crise interna alimenta descontentamento
Ferrer lembrou que a maioria dos cubanos enfrenta escassez de alimentos, apagões frequentes e falta de medicamentos, fatores que, segundo ele, intensificam o desejo de mudanças políticas.
Recados de Washington
Autoridades dos Estados Unidos também aumentaram a pressão sobre o governo cubano. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou no sábado (3) que, se estivesse em Havana, “ficaria atento” ao novo contexto regional. Já o presidente Donald Trump afirmou que o regime comunista cairá sem necessidade de intervenção militar direta, por depender economicamente da Venezuela.
Até o momento, o governo cubano não comentou publicamente as declarações de Ferrer nem as denúncias de novas operações de segurança dentro do país.
Com informações de Gazeta do Povo