Darren Beattie, conhecido por reprovar publicamente decisões do ministro Alexandre de Moraes, foi nomeado assessor sênior para assuntos relativos ao Brasil no Departamento de Estado dos Estados Unidos. A informação foi confirmada em 27 de fevereiro de 2026 por um alto funcionário da pasta à agência Reuters.
Segundo três fontes ouvidas pela agência, Beattie assumiu recentemente a função, que lhe dá acesso direto aos formuladores da política externa norte-americana e o coloca na coordenação de temas sensíveis da relação bilateral.
Trajetória acadêmica e no governo
Formado em Matemática pela Universidade de Chicago e doutor em Teoria Política pela Universidade Duke, Beattie foi professor visitante antes de ingressar na política. Durante o primeiro mandato de Donald Trump, trabalhou como redator de discursos na Casa Branca até 2018 e integrou a Comissão para a Preservação do Patrimônio Americano no Exterior.
O novo assessor também fundou o site conservador Revolver News e, desde fevereiro de 2025, acumula cargos de alto escalão: foi subsecretário interino para Diplomacia Pública e Assuntos Públicos e subsecretário interino para Assuntos Educacionais e Culturais. Em outubro de 2025, tornou-se chefe do Escritório de Assuntos Educacionais e Culturais, função que continuará exercendo paralelamente à nova atribuição sobre o Brasil.
Proximidade com os Bolsonaros e críticas ao STF
Beattie mantém laços com a família Bolsonaro; em 2025, encontrou-se nos EUA com o ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Ele foi um dos principais defensores das sanções impostas por Washington a Alexandre de Moraes no ano passado, quando o magistrado foi enquadrado pela Lei Magnitsky. Na rede social X, Beattie classificou Moraes como “arquiteto de um complexo de censura e perseguição” contra o então ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje preso.
Também no ano passado, no Dia da Independência do Brasil, o assessor afirmou que os EUA continuariam a “tomar medidas cabíveis” contra quem, segundo ele, ferisse liberdades fundamentais no país. Em outra ocasião, apoiou a carta de Trump ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sugerindo tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, alegando que os processos contra Bolsonaro atingiam a liberdade de expressão e os interesses comerciais norte-americanos.
Com a indicação de Beattie, a Casa Branca sinaliza atenção redobrada ao cenário político brasileiro, principalmente a temas de liberdade de expressão e decisões judiciais que envolvem aliados conservadores.
Com informações de Gazeta do Povo