Bahar Rad, cristã iraniana atualmente exilada, contou como a família se tornou alvo do regime islâmico do Irã após abandonar o islamismo e aderir ao cristianismo. O relato foi publicado em 20 de março de 2026.
Conversão começou com programa de TV
A mudança de fé teve início quando o pai de Bahar assistiu a um programa cristão em língua persa transmitido por satélite. A partir daí, a família passou a frequentar igrejas domésticas — cultos secretos destinados a evitar a detecção das autoridades, já que a conversão é duramente punida no país.
Pressão familiar e prisão do pai
No começo, a hostilidade partiu de parentes muçulmanos devotos, que acusaram os convertidos de trair a cultura iraniana. O conflito ganhou dimensão estatal quando um informante oficial denunciou o pai de Bahar, resultando em sua prisão por 13 meses. Ele era acusado de pregar o Evangelho e organizar grupos religiosos clandestinos.
Vigilância constante
Depois da libertação do pai, a família passou a receber ligações de números desconhecidos descrevendo, em detalhes, locais que haviam visitado — de parques a shoppings. Segundo Bahar, o monitoramento servia para intimidá-los e forçar o abandono das atividades cristãs sob ameaça de execução.
Fuga e vida de refugiados
As ameaças levaram o grupo familiar a deixar o país rumo a uma nação vizinha, onde vivem como refugiados. No exílio, enfrentam acesso restrito a emprego, educação e saúde, além do receio permanente de deportação e da saudade da terra natal.
Cristianismo sob risco extremo
O Irã ocupa a 10ª posição na Lista Mundial de Perseguição da ONG Portas Abertas, que classifica o nível de repressão como “extremo”. Embora minorias religiosas sejam oficialmente reconhecidas, muçulmanos convertidos ao cristianismo não contam com proteção legal e podem sofrer tortura ou prisão.
Apesar das dificuldades, Bahar afirma manter a esperança de que futuras mudanças políticas assegurem liberdade de crença para todos os iranianos.
Com informações de Gazeta do Povo