Capturado no último fim de semana durante uma operação militar dos Estados Unidos, o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro deixa um país mergulhado em uma das mais severas crises econômicas e humanitárias da história recente. Dados de organismos internacionais mostram queda acentuada do Produto Interno Bruto (PIB), hiperinflação prolongada, colapso da produção de petróleo e um êxodo sem precedentes.
Economia em queda livre
De acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB da Venezuela caiu de US$ 372,6 bilhões em 2012 — último ano completo antes de Maduro assumir — para apenas US$ 42,8 bilhões em 2020. Embora tenha havido leve recuperação, o valor projetado para 2025, de US$ 82,8 bilhões, permanece muito abaixo do patamar anterior ao atual período de governo.
A hiperinflação acompanha o colapso econômico. A variação anual de preços, que era de 20,1% em 2012, saltou para 130.060% em 2018. Mesmo com desaceleração, a inflação prevista para 2025 ainda está em 548,6%, segundo o FMI.
Pobreza e indústria petrolífera
Levantamento da plataforma Statista indica que o índice de pobreza domiciliar passou de 29% em 2012 para 82,4% em 2023. Paralelamente, a principal fonte de receita nacional, a indústria do petróleo, sofreu forte retração. Dados da Statbase mostram produção diária de 2,67 milhões de barris em 2012, caindo para 544.522 barris em 2020 e alcançando 893.470 barris em 2024 — volume muito inferior aos 3,4 milhões registrados em 1998, antes da ascensão do chavismo.
Êxodo em massa
As consequências sociais incluem o maior movimento migratório recente da América Latina. Relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) informa que mais de 7,9 milhões de venezuelanos deixaram o país desde 2014, o equivalente a 23% da população. Cerca de 6,9 milhões deles estão distribuídos por nações da América Latina e do Caribe. A ONU estima que aproximadamente 2 mil pessoas continuam saindo do território venezuelano diariamente.
Entre os fatores apontados para o deslocamento estão repressão política, violência urbana, escassez de alimentos e medicamentos, hiperinflação e falhas em serviços essenciais. O cenário ainda não possui definição clara sobre os próximos passos, mas a captura de Nicolás Maduro marca o fim de um capítulo considerado crítico na história do país.
Com informações de Gazeta do Povo