Havana — A ONG Observatorio Cubano de Conflictos (OCC) contabilizou 1.245 protestos, denúncias e ações cívicas em Cuba no mês de março, em meio à piora da crise energética e ao aumento da pressão dos Estados Unidos por mudanças políticas na ilha.
O número supera os 1.185 casos verificados em fevereiro e representa quase 80% a mais do que o registrado em março de 2025, segundo relatório publicado nesta semana pela entidade. As manifestações foram reportadas em todas as províncias, com a região da capital, Havana, concentrando mais da metade dos episódios.
Energia no centro da revolta
Três colapsos nacionais no sistema elétrico ocorridos ao longo de março impulsionaram a onda de insatisfação popular. Panelaços, fogueiras e gritos de “liberdade” durante a noite se repetiram por toda a ilha.
OCC cita como exemplo emblemático o protesto de 13 de março, na cidade de Morón, província de Ciego de Ávila. Na ocasião, manifestantes invadiram a sede local do Partido Comunista, removeram móveis e documentos e atearam fogo ao prédio.
Ações desafiadoras batem recorde
O relatório registra 556 “ações desafiadoras ao Estado” em março — o maior patamar da série histórica da ONG. Essas iniciativas incluem atos considerados de maior risco pelos participantes devido à possibilidade de repressão direta.
Resposta do governo
Segundo o levantamento, o regime cubano realizou ao menos 159 atos repressivos no período, com mais de 40 detenções de manifestantes.
Crise múltipla
Além da falta de energia, a população enfrenta escassez de alimentos, inflação elevada e falhas no sistema de abastecimento. O racionamento estatal se deteriora enquanto preços de itens básicos sobem, agravados pela falta de combustível e por problemas logísticos.
A situação atinge também a rede de saúde, que sofre com carência de medicamentos, cortes de energia em hospitais e longas filas para cirurgias e atendimentos.
Pressão externa
O agravamento da crise ocorre em meio ao endurecimento das sanções norte-americanas. O governo do presidente Donald Trump ampliou recentemente as restrições ao fornecimento de petróleo para Cuba, medida que, segundo Washington, pode abrir caminho para uma transição política na ilha. Em evento na Flórida, Trump afirmou que Cuba poderia ser o próximo foco da estratégia dos EUA após o conflito no Irã.
Com informações de Gazeta do Povo