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Corrida com China e Rússia faz EUA acelerarem retorno humano à Lua

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A Nasa corre para garantir que astronautas norte-americanos voltem a pisar na Lua até 2027. A pressa mistura disputa geopolítica com objetivos domésticos: o governo do presidente Donald Trump quer concretizar a missão durante o atual mandato, enquanto China e Rússia avançam em projetos próprios de exploração lunar.

Disputa por liderança espacial

Em entrevista à emissora Fox News, o administrador interino da Nasa, Sean Duffy, afirmou que os Estados Unidos “estão em uma corrida contra a China” e não podem depender apenas da SpaceX para cumprir o cronograma. Duffy anunciou que outros fornecedores privados, como a Blue Origin, também disputarão contratos para a construção de uma base norte-americana no satélite natural.

Missão Artemis III

O plano oficial prevê o pouso da missão Artemis III em 2027. Quatro astronautas deverão permanecer cerca de 30 dias no polo sul lunar, coletando amostras e realizando experimentos que ampliem o conhecimento sobre o Sistema Solar e a Terra. Será o primeiro pouso tripulado dos EUA na Lua desde 1972.

Energia nuclear até 2030

Após o regresso tripulado, a Nasa pretende instalar, até 2030, um reator de fissão compacto de 100 kW no polo sul. O equipamento garantirá fornecimento contínuo de eletricidade a futuras bases científicas e habitáveis por até dez anos, mesmo em áreas sem luz solar.

Rivalidade sino-russa

O avanço norte-americano responde diretamente à International Lunar Research Station (ILRS), projeto sino-russo que prevê uma usina nuclear automatizada na Lua até 2035. A sonda chinesa Chang’e-8, programada para 2028, deverá levar os primeiros módulos da instalação conjunta.

Estados Unidos, China e Rússia concentram esforços no polo sul lunar, considerado estratégico pela presença de gelo — fonte de água, oxigênio e combustível de foguete —, metais raros e hélio-3, possível combustível para reatores de fusão.

Infraestrutura e influência

Para Duffy, o país que erguer o primeiro reator poderá declarar uma “área de segurança” ao redor da instalação, dificultando o acesso de outras nações. A professora Michelle Hanlon, especialista em Direito Espacial na Universidade do Mississippi, observa que a nova corrida espacial é uma disputa por infraestrutura: “Quem constrói, influencia”. O Tratado do Espaço Exterior de 1967 impede reivindicações territoriais, mas permite bases permanentes com fins pacíficos, o que, na prática, concede controle funcional sobre áreas estratégicas.

Viabilidade técnica

O professor Lionel Wilson, da Universidade de Lancaster, disse à BBC que colocar um reator na Lua até 2030 é tecnicamente possível, desde que o programa Artemis receba recursos e mantenha a cadência de lançamentos necessária para transportar os componentes.

A Nasa calcula que a combinação de pouso tripulado, reator nuclear e futuras bases científicas consolide a presença permanente dos Estados Unidos no satélite natural e marque uma nova etapa da exploração espacial.

Com informações de Gazeta do Povo