Paris — O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, encaminhou na noite de terça-feira (10.fev.2026) um pedido formal ao Ministério Público para investigar o diplomata Fabrice Aidan por supostos vínculos com o financista norte-americano Jeffrey Epstein, morto em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores.
Em mensagem publicada na rede X, Barrot invocou o Artigo 40 do Código de Processo Penal francês, anunciou a abertura de um inquérito administrativo e iniciou processo disciplinar contra Aidan. “Estou informando o Ministério Público sobre os fatos alegados que envolvem o senhor Fabrice Aidan”, escreveu o chanceler.
Mais de 200 menções em e-mails
Segundo a agência France-Presse, documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos mencionam o nome de Aidan mais de 200 vezes em trocas de mensagens com Epstein. À época, o diplomata atuava na missão permanente francesa na ONU, em Nova York, e teria repassado a Epstein relatórios e outros documentos da organização.
Atualmente, Aidan está licenciado do cargo de secretário principal de Relações Exteriores e trabalhava no grupo energético Engie, que o suspendeu após a divulgação das mensagens.
Investigação do FBI e silêncio do diplomata
Os sites franceses 20 Minutes e Mediapart informaram que o FBI investigou Aidan em 2013 por supostamente acessar pornografia infantil na internet. Até o momento, o diplomata não se pronunciou.
Possível alcance maior
Em entrevista à rádio RTL nesta quarta-feira (11.fev.2026), Barrot afirmou que não descarta o envolvimento de outros diplomatas franceses com Epstein. “É uma hipótese que não podemos afastar”, declarou.
Renúncia em instituto cultural
No fim de semana anterior, o ex-ministro da Cultura Jack Lang deixou a presidência do Instituto do Mundo Árabe, financiado pelo governo francês, após a revelação de supostas ligações financeiras com Epstein. À AFP, Lang disse que as acusações de fraude fiscal são “infundadas”.
O caso coloca pressão adicional sobre o governo do presidente Emmanuel Macron, já que novas conexões entre autoridades francesas e o círculo de Epstein seguem sendo investigadas.
Com informações de Gazeta do Povo