As vendas de cerveja na Alemanha somaram menos de 4 bilhões de litros no primeiro semestre de 2025, a menor marca desde 1993, segundo o instituto de estatística alemão. O recuo confirma a tendência de queda observada nos últimos anos e já provocou o encerramento de cerca de 100 cervejarias no país desde 2020.
O consumo individual também encolheu. Em 2005, cada alemão bebia, em média, 112 litros de cerveja por ano; hoje, esse volume está abaixo de 90 litros. O envelhecimento da população, a busca por hábitos mais saudáveis e o aumento de preços são apontados como principais causas.
Jovens preferem outras opções
Pesquisas indicam que a geração mais nova tem reduzido o contato com bebidas alcoólicas em geral, não apenas com cerveja. “Vinho e Aperol estão ganhando espaço entre os meus amigos”, relata o estudante Patrick Brommann, de 21 anos. Ele observa que muitos jovens conciliam atividade física durante a semana com consumo moderado de álcool nos fins de semana.
Alta nas versões sem álcool
A procura por produtos sem teor alcoólico cresce rapidamente. De acordo com a revista britânica The Economist, as cervejas sem álcool já representam quase 10% da produção nacional. Estabelecimentos tradicionais, como os Biergärten, passaram a oferecer essas opções, e Munique inaugurou, em 2024, o primeiro jardim de cerveja dedicado exclusivamente a rótulos sem álcool.
Mercado ainda expressivo
Apesar da retração, a Alemanha permanece como o sexto maior mercado mundial de cerveja. Levantamento da Kirin Brewery Company mostra que, entre 2015 e 2023, o consumo per capita caiu 10%, para 88,8 litros anuais, a segunda maior redução da Europa. No mesmo período, Espanha registrou alta de 12% e República Tcheca, de 7%.

Imagem: Bruno Sznajderman via gazetadopovo.com.br
Pressão externa e custos
Empresas do setor também enfrentam dificuldades para exportar, em razão de tarifas impostas pelo ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump. A jornalista brasileira Helen Mendes, que vive na Alemanha, afirma que “a cultura da cerveja segue forte, mas as pessoas estão mais conscientes da saúde”, citando a popularização de “meses sem álcool” entre famílias alemãs.
Mesmo com a queda de consumo e o avanço das versões sem álcool, analistas do setor consideram improvável, por enquanto, que estas superem as tradicionais ou compensem totalmente o declínio nas vendas.
Com informações de Gazeta do Povo