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Conselho de Segurança da ONU se divide após bombardeios dos EUA e de Israel contra Irã

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O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) realizou uma sessão de emergência neste sábado (28), em Nova York, para tratar dos ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel contra o Irã e das retaliações iranianas contra bases americanas no Golfo Pérsico. A reunião evidenciou profundas divergências entre os membros permanentes e reforçou a preocupação com o risco de ampliação do conflito no Oriente Médio.

Apelos de Guterres por trégua imediata

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, informou haver relatos de ao menos um civil morto durante a interceptação de um míssil, além de “vários” feridos no Iraque. Segundo ele, os bombardeios ocorreram enquanto representantes de Israel e Irã mantinham conversas indiretas sobre o programa nuclear iraniano, com reuniões técnicas previstas para a próxima semana. “Lamento profundamente que essa oportunidade de diplomacia tenha sido perdida”, afirmou.

Guterres pediu a suspensão imediata das hostilidades, a retomada das negociações e o respeito ao direito internacional humanitário, destacando o impacto das ações militares sobre a população civil e os riscos para a segurança nuclear. Ele disse ter conversado com líderes da Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos e outros países da região para tentar conter a escalada.

EUA justificam bombardeios e acusam Teerã

Representando Washington, o embaixador Mike Waltz declarou que o Irã “desestabilizou o mundo, matou forças americanas, ameaçou aliados e comprometeu a segurança das rotas marítimas”. Waltz citou o financiamento iraniano a grupos classificados pelos EUA como terroristas, como o Hamas, e ataques contra tropas no Iraque e navios na região.

O diplomata lembrou que, desde 2006, o Conselho aprovou resoluções exigindo a suspensão das atividades nucleares iranianas e impondo sanções. Segundo ele, as medidas foram restabelecidas no ano passado após a continuidade do programa de Teerã. Waltz afirmou que iniciativas diplomáticas conduzidas pelo então presidente Donald Trump não tiveram resposta positiva de Teerã e que, diante disso, “nenhuma nação responsável pode ficar inerte”.

França alerta para risco de nova guerra

O embaixador francês, Jerome Bonnafont, advertiu que a escalada “pode sair de controle” e reiterou a necessidade de cessar-fogo imediato. Ele cobrou do Irã o cumprimento de obrigações internacionais, porém frisou que “qualquer expansão do conflito é perigosa para todos”. Bonnafont recordou as dificuldades de acesso da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) às instalações iranianas e disse que, em agosto, Paris apoiou a reativação de procedimentos de sanções contra Teerã.

Sequência de ataques e represálias

Na madrugada de sábado, forças dos EUA e de Israel atingiram alvos estratégicos em território iraniano enquanto diplomatas discutiam o programa nuclear do país. Horas depois, o Irã lançou mísseis contra instalações americanas no Bahrein, no Catar e nos Emirados Árabes Unidos. O clima de tensão dominou o Conselho, cujo foco principal foi evitar que o confronto se transforme em guerra regional de grandes proporções.

Ao fim da reunião, não houve consenso sobre uma declaração conjunta. Enquanto parte dos membros pediu contenção imediata, outros defenderam o direito de autodefesa de seus aliados. A próxima discussão sobre o tema ainda não foi agendada.

Com informações de Gazeta do Povo