LIMA – O Congresso do Peru destituiu nesta terça-feira (17) o presidente interino José Jerí, quatro meses após ele assumir o Palácio de Governo. A Casa aprovou uma moção de censura por 75 votos a 24, com três abstenções, após acusações de tráfico de influência envolvendo reuniões fora da agenda oficial com um empresário chinês.
Para derrubar o mandatário, bastava o apoio de 66 dos 130 parlamentares – ou maioria simples dos presentes, caso o quórum fosse menor. A defesa de Jerí alegou que o chefe do Executivo só poderia ser afastado por um processo de impeachment, que exige 87 votos, mas anunciou que acataria o resultado.
O que acontece agora
Cabe ao Legislativo indicar um novo presidente interino que comandará o país até a posse do vencedor das eleições gerais marcadas para 12 de abril.
Sequência de trocas no poder
Jerí chegou ao cargo em outubro de 2025, após a destituição de Dina Boluarte por “incapacidade moral” diante da crise de segurança pública. Dina era a vice de Pedro Castillo, eleito em 2021 e deposto um ano depois, após tentativa frustrada de autogolpe.
A instabilidade, porém, começou no mandato anterior. Pedro Pablo Kuczynski, eleito em 2016, renunciou em 2018 em meio ao escândalo Odebrecht. Seu vice, Martín Vizcarra, sofreu impeachment em 2020. Na ausência de sucessores diretos, o então presidente do Congresso, Manuel Merino, assumiu, mas renunciou cinco dias depois e foi substituído por Francisco Sagasti, que concluiu o período e transmitiu o cargo a Castillo.
O último presidente eleito a cumprir todo o mandato foi Ollanta Humala (2011-2016), atualmente preso por corrupção, assim como seu antecessor Alejandro Toledo. A ex-primeira-dama Nadine Heredia, condenada na Operação Lava Jato peruana, recebeu asilo do Brasil e deixou Lima em avião da Força Aérea Brasileira.
Com informações de Gazeta do Povo