LIMA – O Congresso do Peru destituiu, na manhã desta terça-feira (18/02/2026), o presidente interino José Jerí, de 39 anos, abrindo mais um vácuo de poder a menos de dois meses das eleições gerais marcadas para 12 de abril. A decisão, aprovada por 75 votos a favor, 24 contra e 3 abstenções, transforma Jerí no sétimo chefe de Estado removido desde 2016 e obriga o Parlamento a escolher, ainda hoje, o oitavo mandatário que comandará o país em dez anos.
Votação no Congresso
Como Jerí exercia simultaneamente a presidência do Congresso, bastava maioria simples para a cassação. A sessão extraordinária ocorreu mesmo com o Legislativo em recesso, depois que moções de censura reuniram assinaturas suficientes durante o fim de semana.
Entenda as acusações
A queda de Jerí foi precipitada por uma série de denúncias:
- Reuniões reservadas com empresários chineses, incluindo um encontro em que o governante compareceu encapuzado a um restaurante, fato que levou o Ministério Público a investigá-lo por patrocínio ilegal e tráfico de influência agravado.
- Concessão de ao menos cinco contratos públicos a jovens mulheres que visitaram o Palácio do Governo; uma delas permaneceu na residência oficial durante a noite de Halloween.
O desgaste minou a popularidade inicial de Jerí, conquistada graças ao discurso de combate ao crime que marcou seus quatro meses no Palácio do Governo.
Eleições em vista
Partidos temiam que a permanência do presidente interino contaminasse suas campanhas legislativas. Agora, o novo chefe de Estado governará até a posse dos eleitos em abril, em um mandato de transição semelhante aos que se multiplicaram desde 2016. O último presidente a cumprir período completo foi Ollanta Humala (2011-2016).
Quatro nomes disputam o cargo
Até o fechamento desta edição, quatro congressistas formalizaram candidatura à Presidência do Congresso – posto que, automaticamente, confere o comando do Executivo:
- María del Carmen Alva (Ação Popular) – advogada de 58 anos, integrante do partido que já liderou o Peru em três ocasiões.
- Héctor Acuña (Honra e Democracia) – engenheiro civil e empresário, eleito originalmente pela Aliança para o Progresso.
- Edgar Reymundo (Juntos pelo Peru) – ex-prefeito de Chilca nos anos 1980 e deputado federal entre 2006 e 2011.
- José Balcázar (Peru Libre) – ex-magistrado da Suprema Corte, representante da sigla que elegeu Pedro Castillo em 2021.
O plenário volta a se reunir ainda nesta quarta-feira para definir qual dos quatro parlamentares assumirá interinamente a chefia do Estado.
Com informações de Gazeta do Povo