Moscou, 12 de março de 2026 – A escalada bélica no Oriente Médio, que envolve Estados Unidos, Israel e Irã, fez o preço do barril de petróleo atingir a marca de US$ 100 e criou um ambiente estratégico que beneficia o Kremlin em duas frentes: reforço de caixa para a guerra na Ucrânia e desvio da atenção militar ocidental.
Receita extra com exportação de petróleo
Como um dos maiores exportadores globais de petróleo, a Rússia depende das vendas do produto para financiar suas operações militares. O salto recente nas cotações gera recursos adicionais que ajudam Moscou a contornar parte dos efeitos das sanções econômicas impostas pelo Ocidente desde 2022.
Estoques de armas ocidentais sob pressão
Em Washington e nas capitais europeias cresce a preocupação com o esgotamento de munições de precisão, como os mísseis Patriot. Caso o Pentágono priorize o novo teatro de operações no Oriente Médio, a reposição de armamentos para Kiev tende a diminuir, aliviando a pressão sobre as tropas russas no leste europeu.
Possível alívio nas sanções energéticas
O governo do presidente Donald Trump estuda flexibilizar restrições à energia russa para conter a disparada dos combustíveis. Refinarias indianas já receberam autorização temporária para importar petróleo de Moscou, e a ampliação desse mecanismo a outros países daria ainda mais oxigênio à economia russa.
Participação da Ucrânia na frente iraniana
Buscando agradar Washington, Kiev enviou drones interceptadores e especialistas à região. A experiência ucraniana contra os drones Shahed, fornecidos há anos pelo Irã à Rússia, é vista como trunfo para manter o engajamento norte-americano em futuras negociações de paz.
Risco calculado para Moscou
O principal revés potencial para Moscou seria um enfraquecimento do regime iraniano, o que reduziria o fornecimento de drones Shahed e mísseis balísticos à Rússia. No curto prazo, porém, os ganhos financeiros e a distração do adversário superam esse perigo, segundo analistas ouvidos pela reportagem.
Com a guerra no Oriente Médio ganhando intensidade, o Kremlin colhe dividendos tanto no campo econômico quanto no militar, enquanto observa com cautela a estabilidade de seu principal parceiro na região.
Com informações de Gazeta do Povo