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Comunidade ucraniana convoca atos em três capitais brasileiras e pede ajuda para compra de geradores

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Brasília – Quatro anos após o início da invasão russa, a comunidade ucraniana no Brasil organiza, neste domingo (22), um dia de mobilização em defesa da paz e de apoio humanitário à população da Ucrânia. As manifestações ocorrerão em São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro, coordenadas pela Representação Central Ucraniano-Brasileira (RCUB).

Em São Paulo, o ato começa às 11h30, na Avenida Paulista, 1313, em frente ao prédio da Fiesp. Em Curitiba, os participantes se reúnem às 15h30, na Praça da Ucrânia. No Rio de Janeiro, a concentração está marcada para 28 de fevereiro, às 16h, diante do Copacabana Palace, na orla de Copacabana. Antes da passeata paulista, haverá missa pelas vítimas do conflito às 10h, na Paróquia Nossa Senhora Imaculada Conceição, Rua das Valerianas, 169, Vila Zelina.

Queda nas doações e “fadiga do doador”

Com a guerra entrando no quinto ano, o fluxo de doações internacionais diminuiu sensivelmente. A voluntária brasileira Clara Magalhães, da Frente BrazUcra, que desde 2022 atua na linha de frente, relata dificuldade para reunir mantimentos: “Hoje há bem menos doações; encher um carro ou van se tornou muito mais complicado”, diz.

Segundo Clara, o fenômeno conhecido como “fadiga do doador” faz com que parte do público considere já ter contribuído o suficiente. Para reduzir custos logísticos, a RCUB orienta que a ajuda seja enviada prioritariamente em dinheiro.

Geradores são prioridade

Após ataques russos à infraestrutura energética, apagões de até 18 horas e temperaturas que chegam a –15 °C aumentaram a demanda por geradores portáteis. Cada unidade custa cerca de R$ 8 mil. Oito aparelhos do modelo Ecoflow já foram entregues a hospitais e centros de refugiados nas cidades de Bilozerska, Sumy, Chudniv, Kherson e Ternopil, por meio de campanha da Metropolia Católica Ucraniana.

Mobilização política

A vice-presidente da RCUB, Júlia Regina Bordun Bertoldi, afirma que o objetivo dos atos é reacender a atenção da sociedade e dos parlamentares brasileiros: “Há quatro anos, a agressão continua e vai sendo silenciada. Precisamos manter o tema em evidência”, declara.

Líderes da diáspora também veem com preocupação a tentativa de Moscou de ampliar sua influência no Brasil, após reunião de alto nível entre autoridades russas e o governo brasileiro no início de fevereiro.

Brasileiros no conflito

Desde 2022, voluntários brasileiros seguem para a zona de guerra dos dois lados da linha de frente. O Itamaraty contabiliza ao menos 23 mortos. Entre os que integraram as forças ucranianas está o paranaense Adilson de Andrade Ganzert, 45 anos, ferido em combate nas regiões de Kharkiv e Donetsk e prestes a retornar ao front. Pai de quatro filhos, ele afirma ter embarcado “por amor ao próximo” e aconselha: “Se for apenas pelo dinheiro, não vale a pena”.

Com informações de Gazeta do Povo