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Comerciantes do Grande Bazar lideram nova onda de protestos e expõem vulnerabilidade do regime iraniano

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A mais recente série de protestos no Irã, iniciada na virada de 2025 para 2026, ganhou contornos inéditos ao ter como ponto de partida o Grande Bazar de Teerã, centro comercial com mais de 10 quilômetros de corredores e símbolo histórico do comércio do país.

O estopim das manifestações foi a crise econômica que atinge o Irã: o rial perdeu 84% de seu valor frente ao dólar em 2025 e a inflação dos alimentos alcançou 72%, segundo o The Wall Street Journal. Sob impacto direto dessas cifras, comerciantes do Bazar fecharam as portas e passaram a exigir mudanças do governo dos aiatolás.

Base tradicional do regime muda de postura

Desde a Revolução Islâmica de 1979, os negociantes do Grande Bazar apoiavam financeiramente o governo teocrático e ocupavam postos-chave em ministérios como Comércio e Trabalho, além de assentos no Conselho dos Guardiães. Embora tenham realizado greves pontuais — como em 2008 —, esta é considerada a primeira mobilização ampla do Bazar contra o poder central.

Em discurso no início de janeiro, o líder supremo Ali Khamenei afirmou que “a classe comerciante e mercantil está entre as mais leais ao sistema islâmico” e atribuiu o levante a “agentes externos” que, segundo ele, tentam se aproveitar de “insatisfações pontuais”. O aiatolá classificou como “absolutamente inaceitável” qualquer tentativa de “tornar o país inseguro” usando o Bazar.

Erosão econômica entre os motivos da revolta

Para o pesquisador Kayhan Valadbaygi, do Instituto Internacional de História Social, a sustentação econômica dos comerciantes foi “progressivamente corroída” nos últimos 20 anos pelo favorecimento estatal à Guarda Revolucionária Islâmica, às fundações religioso-revolucionárias (bonyads) e pela gestão das sanções internacionais. “O que antes era um alicerce inabalável do regime tornou-se mais uma vítima da disfunção sistêmica”, escreveu em artigo na emissora Al Jazeera.

Um lojista do Grande Bazar ouvido pela agência Reuters, sob condição de anonimato, reforçou a crítica: “Não conseguimos importar mercadorias por causa das sanções dos EUA e porque somente a Guarda Revolucionária ou pessoas ligadas a ela controlam a economia. Eles só pensam nos próprios interesses”.

Valadbaygi avalia que a perda de apoio dos comerciantes enfraquece um dos pilares históricos da República Islâmica e torna o atual desafio “muito mais difícil de conter” do que ondas anteriores de contestação.

Até o momento, não há indicação de recuo por parte dos manifestantes, que mantêm a mobilização no coração comercial de Teerã, mantendo o regime em alerta enquanto a crise econômica persiste.

Com informações de Gazeta do Povo