Washington, 4 jan. 2026 – Presa no sábado (3) com o marido, o ditador venezuelano Nicolás Maduro, a advogada Cilia Adela Flores de Maduro, 69 anos, será julgada nos Estados Unidos por acusações de narcotráfico e outros delitos. Considerada uma das figuras mais influentes do chavismo, ela é tratada pelo companheiro como “primeira-combatente”, título escolhido para substituir o termo “primeira-dama”.
Acusações de nepotismo
Flores ganhou notoriedade por empregar mais de 40 parentes quando presidiu a Assembleia Nacional, cargo que assumiu em 2006, tornando-se a primeira mulher a comandar a Casa. A prática, apelidada pela oposição de “jardim de Cilia”, nunca foi negada por ela. “Tenho orgulho de que sejam minha família”, declarou na época. Mesmo após deixar a presidência do Legislativo em 2012, vários parentes permaneceram em postos do governo.
Infância e formação
Nascida em 15 de outubro de 1956, em Tinaquillo, estado de Cojedes, Flores é a caçula de seis irmãos. Filha de um mascate, mudou-se na infância para Caracas, onde trabalhou como escrivã de delegacia antes de concluir a faculdade de Direito na Universidade Santa María, com especialização em Direito Penal e Trabalhista. Católica praticante, foi casada com o policial Walter Rodríguez, com quem teve três filhos, antes de iniciar relacionamento com Maduro.
Encontro com Maduro e ascensão política
Flores conheceu Maduro em 1994, durante o processo que libertou Hugo Chávez da prisão após a tentativa de golpe de 1992. Em 1997, ajudou a fundar o Movimento Quinta República e se elegeu deputada em 2000. Como presidente da Assembleia Nacional, sucedeu o próprio Maduro, que naquele ano foi nomeado chanceler de Chávez. O casamento formal do casal só ocorreu em 2013.
Rede de influência
Durante a passagem pelo Parlamento, Flores posicionou aliados e familiares em órgãos estratégicos. O ex-marido presidiu a Fundação Negra Hipólita, e Magali Viña, sogra de um de seus filhos, comandou o Instituto Nacional de Serviços Sociais. Além disso, ela e o ex-magistrado Christian Zerpa teriam exercido controle sobre cortes superiores, formando, segundo denúncias, uma rede de extorsão judicial.
“Narco-sobrinhos”
Os sobrinhos Efraín Antonio Campo Flores e Francisco Flores de Freitas foram detidos em novembro de 2015, no Haiti, enquanto tentavam enviar centenas de quilos de cocaína aos EUA. Condenados em 2016 por tráfico, tiveram o episódio classificado pelo dirigente chavista Diosdado Cabello como “sequestro” da agência antidrogas americana (DEA).
Sanções internacionais
Flores foi sancionada pelo Canadá e pelo Panamá em 2018, sob alegação de minar a democracia e lavar dinheiro. No ano seguinte, entrou na lista de sanções dos EUA e teve a entrada proibida na Colômbia. Questionado, Maduro reagiu com a frase que se tornou bordão: “Não se meta com Cilia… não se meta com a família”.
Acusações de enriquecimento e censura
Reportagens apontam que parentes de Flores exibem mansões em Caracas, uso de jatos privados e vida luxuosa em meio à crise econômica venezuelana. Em 2014, dois de seus filhos foram citados em supostos esquemas de empréstimos da estatal petrolífera PDVSA. Durante sua gestão na Assembleia, a advogada também foi acusada de restringir o acesso de jornalistas ao plenário.
Agora, a “primeira-combatente” enfrentará a Justiça norte-americana juntamente com Maduro, marcando o capítulo mais delicado de sua trajetória política.
Com informações de Gazeta do Povo