Sydney (Austrália) – Pesquisadores da Universidade de Sydney obtiveram as primeiras imagens em tempo real da formação de cristais de platina dentro de gálio líquido. O trabalho, publicado em 2025 na revista Nature Communications, foi conduzido pelo professor Kourosh Kalantar-Zadeh e revela detalhes inéditos sobre a passagem do estado líquido para o sólido em metais.
Como o experimento foi realizado
A equipe dissolveu platina no gálio a cerca de 500 °C – temperatura muito inferior aos 1.768 °C exigidos para derreter a platina pura. Ao resfriar a amostra, os átomos do metal nobre começaram a se reorganizar e formar finas hastes cristalinas. Para acompanhar o processo sem romper a camada opaca de gálio, os cientistas aplicaram tomografia computadorizada por raios X, técnica comum em exames médicos, capaz de gerar imagens 3D do interior da gota metálica.
Segundo Kalantar-Zadeh, o método mostra que os átomos seguem um padrão definido e rápido de crescimento, contrariando modelos teóricos que previam uma cristalização lenta e desordenada. As imagens fornecem uma sequência visual clara de cada etapa da formação dos cristais.
Implicações para a indústria
Observar a estrutura interna dos metais em nível atômico abre caminho para projetar catalisadores mais eficientes e com menor demanda energética. A pesquisa aponta que processos industriais de alta temperatura, responsáveis por 10% do consumo global de energia, poderiam ser substituídos por métodos que operam a 500 °C, reduzindo custos e emissões de gases de efeito estufa.
De acordo com a coautora Moonika Widjajana, a resolução alcançada pela tomografia supera limitações de técnicas anteriores e elimina a dependência de modelos por tentativa e erro na produção de baterias e materiais avançados.
Com a cristalização agora visível em três dimensões, engenheiros podem ajustar ligações atômicas para criar ligas mais resistentes, prolongar a vida útil de dispositivos e desenvolver tecnologias de armazenamento de energia mais sustentáveis.
Com informações de Gazeta do Povo