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Péquim e Moscou mantêm ofensiva na América Latina após prisão de Maduro pelos EUA

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Brasília – Treze dias depois da captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças norte-americanas, em 3 de janeiro, China e Rússia intensificam movimentos para conservar espaço político, militar e econômico no Hemisfério Ocidental, apesar da chamada “Doutrina Donroe”, lançada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Pequim injeta recursos em Havana

Na semana passada, o Ministério das Relações Exteriores de Cuba anunciou um novo pacote de socorro chinês, composto por US$ 80 milhões em assistência emergencial para aquisição de equipamentos elétricos e 60 mil toneladas de arroz. O gesto reforça a posição de Pequim como principal parceiro comercial de várias nações latino-americanas, entre elas Brasil, Peru e Chile.

Além de linhas de crédito bilionárias que levaram países como Panamá, El Salvador e República Dominicana a romper com Taiwan, a China controla projetos estratégicos como o Porto de Chancay, megaterminal de águas profundas inaugurado no Peru em novembro de 2024, e o corredor ferroviário bioceânico em estudo para ligar o Brasil ao litoral peruano.

Presença militar russa avança em Cuba e Nicarágua

Moscou mantém acordo de cooperação com o governo de Daniel Ortega que prevê envio de tropas, navios, aeronaves e sistemas de espionagem à Nicarágua, semelhante ao firmado com Havana. Na quinta-feira (29), Trump anunciou tarifas sobre produtos de países que abasteçam Cuba com petróleo, alegando que a ilha abriga a maior estação de inteligência de sinais da Rússia fora do território russo e estreita colaboração militar com a China.

Comércio russo com Brasil triplica

Embora a influência econômica do Kremlin seja menor que a chinesa, o fluxo comercial com o Brasil saltou de US$ 3,97 bilhões em 2019 para US$ 10,29 bilhões em 2025, segundo a plataforma Comtrade da ONU, puxado sobretudo por combustíveis e fertilizantes.

Analistas veem dificuldades para Washington

A pesquisadora Natalie Sabanadze, do think tank britânico Chatham House, avalia que o presidente russo, Vladimir Putin, tentará usar a operação norte-americana na Venezuela para alimentar sentimentos anti-EUA na região.

Para Eduardo Galvão, professor de políticas públicas do Ibmec Brasília, o principal obstáculo de Washington é a “rede de interdependência” criada pela China via comércio, infraestrutura e financiamento. “Reduzir essa influência exige alternativas comerciais e tecnológicas que os Estados Unidos têm dificuldade em oferecer com rapidez”, disse.

Nicaragua e Cuba no radar, mas ação militar é improvável

Galvão considera baixa a probabilidade de operações semelhantes à que retirou Maduro do poder ocorrerem em Havana ou Manágua, por risco de escalada e reação regional. Segundo ele, a Casa Branca tende a adotar instrumentos econômicos, como tarifas setoriais, para pressionar parceiros que mantêm laços estreitos com Moscou ou Pequim.

Com informações de Gazeta do Povo