Pequim – O Ministério das Relações Exteriores da China contestou nesta segunda-feira (25) as declarações do almirante Alvin Holsey, chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, que havia advertido, em 20 de agosto, sobre uma suposta tentativa de Pequim de levar seu modelo autoritário à América Latina por meio de acordos econômicos, militares e de infraestrutura.
O porta-voz da diplomacia chinesa, Guo Jiakun, classificou as acusações como “falsas” e parte de “uma mentalidade de Guerra Fria” ainda presente em Washington. “A cooperação da China com os países latino-americanos baseia-se em respeito, igualdade, benefício mútuo e inclusão”, afirmou Guo, acrescentando que a região “não é quintal de ninguém” e tem direito de escolher livremente seus parceiros de desenvolvimento.
Reação a alerta feito em Buenos Aires
Holsey fez o alerta durante a Conferência Sul-Americana de Defesa (Southdec 2025), realizada em Buenos Aires. Na ocasião, o militar acusou o Partido Comunista Chinês de conduzir uma “incursão metódica” para extrair recursos e implantar infraestrutura de uso duplo, “de portos até instalações espaciais”. Ele citou pontos estratégicos como o Estreito de Magalhães, a Passagem de Drake e o Canal do Panamá, que poderiam, segundo ele, ser empregados para projetar poder e interromper o comércio internacional.
Ao lado do almirante, o subsecretário de Defesa para Assuntos Hemisféricos dos EUA, Roosevelt Ditlevson, reforçou as críticas. Ditlevson afirmou que empresas chinesas “capturam terras, infraestrutura crítica e setores estratégicos, como energia e comunicações”, além de exercerem influência sobre instalações espaciais no continente.
Pequim exalta parceria “bem-recebida”
Guo rebateu que os projetos chineses na América Latina “impulsionaram as economias locais” e são “bem recebidos pela população”. Ele também enfatizou que a colaboração ocorre em áreas variadas, sem intenção de interferir nos assuntos internos dos países parceiros.

Imagem: WU HAO via gazetadopovo.com.br
O porta-voz concluiu destacando que a China continuará a “promover cooperação inclusiva” na região, apesar do que chamou de “tentativas dos Estados Unidos de difamar” suas iniciativas.
Com informações de Gazeta do Povo