Pequim – A Human Rights Watch (HRW) afirmou, em relatório anual divulgado nesta quarta-feira (4), que o governo da China ampliou ferramentas de vigilância, restringiu ainda mais a liberdade de expressão e intensificou a perseguição a minorias religiosas e a críticos do Partido Comunista.
O documento sustenta que autoridades chinesas utilizam censura digital, monitoramento em larga escala e o sistema judicial para sufocar dissidência. Segundo a HRW, o controle ideológico foi reforçado em todas as regiões do país, com destaque para medidas de assimilação forçada no Tibete e em Xinjiang, além da aplicação de uma lei de segurança nacional considerada repressiva em Hong Kong.
Perseguição a uigures permanece sem punição
Em Xinjiang, centenas de milhares de uigures continuam detidos “de forma injusta”, de acordo com a organização, que mantém a classificação de crimes contra a humanidade para as ações do governo local. Até o momento, observa o relatório, não houve responsabilização por denúncias de abusos cometidos nos últimos anos.
Casos emblemáticos de condenações
A HRW cita diversas sentenças recentes para ilustrar o rigor do aparato estatal. Entre elas estão:
- O cineasta Chen Pinlin, condenado em janeiro de 2025 a três anos e meio de prisão por “provocar brigas e criar problemas” após filmar protestos contra a política de Covid zero;
- O editor taiwanês Fu Cha, sentenciado em fevereiro a três anos de prisão por “incitar o separatismo”;
- O ativista Peng Lifa, punido em julho com nove anos de reclusão por exibir faixas pró-democracia em uma ponte de Pequim.
Pressão além-fronteiras
O relatório também denuncia o crescimento da chamada repressão transnacional, que inclui intimidação de comunidades chinesas no exterior e de familiares de ativistas que permanecem no país. A HRW acrescenta que Pequim continua reprimindo qualquer tentativa de recordar publicamente o Massacre da Praça da Paz Celestial, inclusive em Hong Kong.
Liberdade religiosa sob controle
O texto afirma que apenas cinco credos possuem reconhecimento oficial e que grupos católicos e protestantes independentes são alvo de perseguição. Ainda de acordo com a organização, mulheres, pessoas LGBTQIAPN+ e vozes feministas enfrentam censura e discriminação.
A vice-diretora da HRW para a Ásia, Maya Wang, classificou o histórico recente de direitos humanos do país como “cada vez mais desastroso”. O governo chinês, por sua vez, nega as acusações e argumenta que suas políticas visam garantir estabilidade, desenvolvimento e segurança nacional.
Com informações de Gazeta do Povo