Pequim – A Administração do Ciberespaço da China (CAC) iniciou na segunda-feira, 22 de setembro de 2025, uma campanha nacional de dois meses para remover das plataformas on-line publicações consideradas “pessimistas” ou “niilistas”. A ação atinge redes sociais, transmissões ao vivo e aplicativos de vídeos curtos.
De acordo com a CAC, serão alvo da operação postagens que “interpretem maliciosamente fenômenos sociais, exagerem ocorrências negativas ou promovam visões derrotistas”. A medida foi anunciada em meio à continuidade da crise econômica chinesa, marcada pelo colapso do mercado imobiliário, queda no consumo interno e desemprego recorde entre jovens.
Dados oficiais divulgados neste mês indicam que a taxa de desemprego para pessoas de 16 a 24 anos que não estudam chegou a 18,9% em agosto, o maior nível em dois anos.
Influenciadores sob pressão
Influenciadores associados ao movimento lying flat (deitar-se) – estilo de vida que propõe reduzir o ritmo de trabalho e consumo – relataram remoção de vídeos e suspensão de perfis. A CAC também declarou que reprimirá contas que usem preocupações sobre emprego, educação ou relacionamentos para vender cursos e produtos.
Justificativa oficial
Em editorial, o jornal estatal The Paper descreveu a iniciativa como resposta ao “caos digital”, afirmando que conteúdos “maliciosamente divisivos” podem criar “pânico social” e “prejuízos de longo prazo à ordem pública”.
Grande Firewall reforçado
A China mantém desde 1998 o Grande Firewall, sistema de filtragem apontado pela OpenNet Initiative como o mais sofisticado do mundo. Entre as tecnologias empregadas estão bloqueio de IP, inspeção profunda de pacotes e reconhecimento de fala. Plataformas como Google, Facebook e YouTube seguem inacessíveis no país.
A nova campanha amplia o escopo desse aparato de vigilância, reforçando o controle do governo de Xi Jinping sobre as discussões na internet.
Com informações de Gazeta do Povo