Organizações internacionais que monitoram armamentos nucleares identificaram uma aceleração significativa nos esforços da China para ampliar sua capacidade de produzir ogivas. A constatação foi feita a partir de imagens de satélite examinadas pela Open Nuclear Network (ONN) e pelo Verification Research, Training and Information Centre (Vertic), e divulgada neste domingo, 28 de dezembro de 2025, pelo jornal norte-americano The Washington Post.
Segundo os analistas, Pequim está reformulando rapidamente uma rede de instalações envolvidas na construção de componentes essenciais para ogivas com capacidade nuclear. Renny Babiarz, integrante da equipe que conduziu a avaliação, afirmou que as transformações observadas “desde 2019 até hoje são provavelmente mais extensas do que qualquer coisa já vista na história”.
Ritmo nunca registrado
Embora o arsenal chinês ainda esteja distante das 3.700 ogivas atribuídas aos Estados Unidos, o ritmo de expansão indica, de acordo com especialistas ouvidos pelo Post, que o Exército Popular de Libertação se prepara para uma “corrida armamentista total” com outras potências. O presidente norte-americano Donald Trump declarou recentemente que, em poucos anos, a China poderá igualar a capacidade de Washington.
As imagens recebidas pelas entidades mostram uma intensificação das atividades em pontos-chave da cadeia de produção desde 2021. Entre as melhorias identificadas estão obras em instalações que projetam e fabricam pits de plutônio — o núcleo de uma arma nuclear — e em fábricas que produzem explosivos de alta potência usados para iniciar a reação nuclear.
Postura de alerta elevado
Além das obras, pesquisadores da ONN e da Vertic analisaram livros didáticos militares, publicações internas e artigos de acadêmicos ligados às forças armadas chinesas. O material sugere que brigadas nucleares do país operam sob alerta elevado e podem estar adotando a política de lançamento sob aviso, isto é, a prontidão para retaliar imediatamente após detectar um ataque de mísseis.
A produção de componentes nucleares aparece dispersa por diversas regiões. Desde aproximadamente 2020, também foram identificadas ampliações em campos de testes e em conjuntos de silos de mísseis. Até o momento, a única instalação publicamente associada à fabricação de pits de plutônio é a de Pingtong, em área montanhosa da província de Sichuan.
Em novembro, o jornal britânico The Telegraph já havia relatado operações militares secretas chinesas no Deserto de Gobi, onde se localiza um complexo considerado comparável à Área 51, dos Estados Unidos, no Nevada.
Com informações de Gazeta do Povo