Pequim, 29 jan. 2026 – As autoridades chinesas executaram nesta quinta-feira (29) 11 pessoas condenadas por integrarem o chamado Grupo Criminoso da Família Ming, organização que operava esquemas de fraude cibernética a partir da região de Kokang, em Mianmar.
Segundo a agência estatal Xinhua, os réus haviam recebido pena de morte em setembro passado, por decisão do Tribunal Popular Intermediário de Wenzhou, província de Zhejiang, no leste da China. Entre os executados estavam considerados membros-chave da quadrilha.
Condenações no mesmo processo
No mesmo julgamento, a Corte aplicou outras 28 penas: cinco sentenças de morte com execução suspensa por dois anos, 11 prisões perpétuas e 12 penas que variam de cinco a 24 anos de reclusão. As acusações englobam fraude, homicídio doloso e lesão corporal dolosa, somando 14 tipos de crimes.
Esquema bilionário desde 2015
De acordo com a sentença, desde 2015 o grupo usava influência local e o apoio de forças armadas aliadas para instalar centros operacionais em localidades como Laukkai. Esses postos serviam para recrutar mão de obra e garantir proteção armada a investidores envolvidos em fraudes de telecomunicações e internet, cassinos ilegais, tráfico de drogas e prostituição.
O tribunal calculou que o montante movimentado apenas em jogos de azar e golpes on-line ultrapassou 10 bilhões de yuans (aproximadamente R$ 7,48 bilhões). Vítimas ou participantes que tentaram fugir ou descumprir ordens foram mortos ou feridos, deixando dez mortos e dois feridos, ainda segundo a decisão judicial.
Aumento de centros de fraude na região
Desde o golpe militar de fevereiro de 2021 em Mianmar, áreas fronteiriças com a China tornaram-se terreno fértil para grupos criminosos. Um relatório divulgado em 2023 pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) apontou crescimento acentuado de golpes na internet em todo o Sudeste Asiático, com pessoas recrutadas ou traficadas para atuar nesses delitos.
O documento estima que ao menos 120 mil pessoas estejam confinadas em centros de fraude em Mianmar, enquanto no Camboja o número chegaria a 100 mil. Casos em que vítimas são enganadas e forçadas a cometer crimes já representam 10,2% de todos os registros de tráfico de pessoas no mundo, informou o órgão da ONU.
Com informações de Gazeta do Povo