Em meio à escalada de tensão entre Estados Unidos e Irã, analistas ouvidos por agências internacionais consideram improvável que China e Rússia forneçam apoio militar a Teerã caso Washington decida realizar novos ataques. A avaliação é que, apesar da parceria com o regime iraniano, Moscou e Pequim priorizarão seus próprios interesses estratégicos e a relação bilateral com os EUA.
Prioridades de Moscou permanecem na Ucrânia
Diante da guerra iniciada contra a Ucrânia em 2022, o governo de Vladimir Putin concentra recursos financeiros e militares para sustentar o conflito, o que reduz a disposição de intervir em favor de aliados como Irã ou Venezuela. De acordo com Alexander Gabuev, diretor do Centro Carnegie Rússia-Eurásia, o Kremlin “faria o possível para manter o regime iraniano de pé”, mas suas opções são limitadas.
Para Nikita Smagin, especialista em relações Rússia-Irã, a “crise ucraniana é muito mais relevante para Moscou que a iraniana”. Ainda que Teerã tenha fornecido drones Shahed usados em ataques à infraestrutura ucraniana, o alcance da cooperação militar tende a ficar restrito a esse tipo de troca de interesse imediato.
Pequim prefere estabilidade no Oriente Médio
Maior comprador de petróleo iraniano e signatária, desde 2021, de um acordo de parceria estratégica abrangente com Teerã, a China vem adotando tom cauteloso. O governo Xi Jinping tem se limitado a exigir, por vias diplomáticas, que Washington não interfira nos assuntos internos do Irã.
Segundo Wen Shaobiao, da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, Pequim “manterá postura de observadora e não se envolverá em nenhuma circunstância”. A principal preocupação chinesa é que um conflito se espalhe pela região, provoque fluxos de refugiados e comprometa projetos como a Nova Rota da Seda, além de elevar o preço do petróleo.
O pesquisador Theo Nencini, do Sciences Po Grenoble, acrescenta que um Irã enfraquecido pode até favorecer a China, que garante fornecimento de petróleo a preços mais baixos enquanto preserva influência em importante parceiro geopolítico.
Relação com Washington pesa na balança
Para Ellie Geranmayeh, especialista do Conselho Europeu de Relações Exteriores, tanto chineses quanto russos “darão prioridade ao relacionamento bilateral com os Estados Unidos” num eventual confronto militar. As críticas às ações americanas, portanto, devem permanecer no campo político e nos fóruns internacionais, sem evoluir para presença de tropas, envio de armamentos de grande escala ou garantias de defesa mútua.
Assim, mesmo que Pequim e Moscou sigam denunciando publicamente possíveis ataques ao Irã, os sinais atuais apontam que o apoio ficará restrito à retórica e a cooperações econômicas já existentes, longe de um engajamento militar direto.
Com informações de Gazeta do Povo