Caracas – O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, informou nesta quarta-feira (27) que manteve uma reunião virtual com o chanceler brasileiro, Mauro Vieira, para tratar do que classificou como “planos agressivos” dos Estados Unidos contra a Venezuela, a América Latina e o Caribe.
Gil disse ter apontado a presença de navios de guerra norte-americanos, incluindo “até um submarino nuclear”, em águas internacionais próximas ao território venezuelano. Para o venezuelano, a movimentação representa “flagrante violação da Zona de Paz proclamada pela Celac em 2014 e do Tratado de Tlatelolco de 1967”.
Segundo o chanceler, Vieira concordou que “essas agressões devem ser interrompidas imediatamente”. Em postagem no Instagram, Gil relatou ainda que o colega brasileiro comentou “medidas tarifárias e guerras aplicadas com fins políticos” que, na visão de Brasília, também configurariam atos de hostilidade.
O governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, justificou o deslocamento dos navios como parte de uma operação contra o tráfico de drogas. Autoridades americanas afirmaram que estão dispostas a usar “todo o poder” para levar à Justiça os responsáveis pelo envio de entorpecentes ao país, mencionando o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, indiciado nos EUA por narcotráfico.
A Gazeta do Povo solicitou ao Itamaraty confirmação do conteúdo da conversa entre os chanceleres, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
Repercussão entre chavistas
Nos comentários da publicação de Yván Gil, simpatizantes do chavismo criticaram a postura do Brasil e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Algumas mensagens afirmam que “o Brasil já não é mais confiável” e que “o bajulador do Lula junto a Petro não reconheceram Nicolás”.

Imagem: Bruno Sznajderman
As tensões entre Lula e Maduro se intensificaram quando o líder brasileiro optou por não reconhecer o resultado da última eleição venezuelana. Em entrevista à Rádio T de Curitiba, em agosto do ano passado, Lula declarou que Maduro “deve explicações” e defendeu a divulgação das atas de votação pelo Conselho Nacional Eleitoral venezuelano. Na mesma ocasião, Lula sugeriu a formação de um governo de coalizão no país vizinho.
O presidente brasileiro afirmou também que, apesar das dúvidas sobre o pleito, Maduro permaneceria no cargo até o fim de seu mandato, previsto para janeiro do ano seguinte.
Com informações de Gazeta do Povo