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Chanceler nigeriano rejeita acusações de perseguição a cristãos e fala em risco de tensão religiosa

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O ministro das Relações Exteriores da Nigéria, Yusuf Tuggar, declarou nesta terça-feira (4) que é “impossível” haver perseguição estatal a cristãos em seu país. A fala ocorreu em Berlim, ao lado do vice-ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, durante visita oficial.

“Há um compromisso constitucional da Nigéria com a liberdade religiosa e o Estado de Direito. Isso torna impossível qualquer perseguição religiosa apoiada em nível federal, regional ou local”, afirmou Tuggar, citado pela agência Reuters.

O chanceler exibiu aos jornalistas um documento do governo intitulado “Compromisso Constitucional da Nigéria com a Liberdade Religiosa”, que, segundo ele, orienta a ação estatal e foi distribuído aos presentes. Tuggar advertiu que informações sobre suposta perseguição podem “provocar conflitos religiosos internos”.

As declarações respondem a críticas feitas na semana passada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que acusou o governo nigeriano de “permitir o assassinato de cristãos” e ameaçou uma intervenção militar contra “ataques de terroristas islâmicos”.

No domingo (2), um porta-voz da presidência nigeriana disse que o país busca uma reunião com Trump e interpretou as palavras do líder americano como “apoio ao combate ao terrorismo”.

Durante a coletiva em Berlim, Tuggar ressaltou que a Nigéria quer evitar o destino do Sudão, dividido em 2011 após anos de conflitos religiosos. “Contribuímos significativamente, há anos, para o combate ao terrorismo”, afirmou.

Relatórios de organizações internacionais, contudo, indicam crescimento da violência contra cristãos no país. Levantamento da fundação pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) para o período 2023-2024 aponta aumento de mortes e sequestros atribuídos a grupos terroristas islâmicos. A Nigéria aparece na 7ª posição da Lista Mundial da Perseguição 2025, da organização Portas Abertas, e lidera o ranking de assassinatos de cristãos, com mais de 4.400 vítimas registradas.

Segundo a Portas Abertas, a violência, antes concentrada nos estados do norte, de maioria muçulmana, espalhou-se para regiões centrais e sulinas do país.

Com informações de Gazeta do Povo